Luísa Gonçalves, Diocese do Funchal
Há perguntas que fazemos a Deus já com a resposta a fervilhar na cabeça. Pedimos que uma porta se abra, que uma situação se resolva, que alguém fique, que uma doença desapareça, que um sonho se concretize. Rezamos com fé, mas, muitas vezes, confundimos fé com a certeza de que Deus fará exatamente aquilo que Lhe pedimos.
E se a resposta de Deus não for a que esperavas?
É talvez aí que começa a verdadeira fé. Porque acreditar em Deus quando tudo acontece como desejamos é relativamente fácil. Mais difícil é continuar a confiar quando o caminho toma uma direção que não compreendemos.
A oração não é uma forma de convencer Deus a fazer a nossa vontade. É, antes, o lugar onde aprendemos a confiar na vontade d’Ele. E isso nem sempre é simples. Há respostas de Deus que chegam sob a forma de um «sim», mas também há «nãos» e há silêncios que nos desconcertam.
O problema é que queremos compreender tudo. Queremos saber porquê, para quê e quando. Deus, porém, nem sempre nos dá explicações. Dá-nos, muitas vezes, a Sua presença.
São Paulo escreve: «Sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam» (Rom 8, 28). Não significa que tudo o que nos acontece seja bom. Significa que Deus é capaz de fazer nascer bem mesmo daquilo que, naquele momento, nos parece uma derrota, uma perda ou um caminho sem saída.
Talvez a resposta que esperávamos não fosse aquela de que precisávamos. Talvez a porta que tanto pedimos para abrir precisasse mesmo de permanecer fechada. Talvez aquilo que interpretámos como ausência de Deus fosse, afinal, uma forma diferente da Sua presença.
Confiar não significa deixar de sofrer ou de fazer perguntas. Significa continuar a caminhar mesmo quando não temos todas as respostas. Significa dizer a Deus: «Eu não entendo, mas continuo a confiar em Ti.»
Porque Deus não deixa de ser Deus quando a Sua resposta nos desilude. E nós não deixamos de ser amados quando a nossa oração não recebe a resposta que esperávamos.
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