Vida Consagrada: Patriarca de Lisboa afirma que consagração religiosa denuncia «ilusão» do efémero

D. Rui Valério presidiu setembro à profissão religiosa de Irmãs da Aliança de Santa Maria

Foto: Patriarcado de Lisboa

Fátima, 07 set 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa presidiu este sábado à profissão religiosa de várias Irmãs da Aliança de Santa Maria, afirmando no Santuário de Fátima que a sua entrega a Deus aponta para a “pátria definitiva da existência”.

“O vosso despojamento denuncia a ilusão de transformar em absoluto aquilo que é transitório e aponta, como o horizonte na linha do mar, para a pátria definitiva da existência”, sublinhou D. Rui Valério, durante a homilia na Basílica da Santíssima Trindade.

O responsável católico declarou que a consagração total das religiosas “ultrapassa o mero projeto humano”, configurando-se como uma “verdadeira antecipação” da plenitude divina e assumindo um “sinal profético” para a humanidade.

A celebração acolheu a profissão religiosa de votos perpétuos das irmãs Brittany Allison Culver, Ana Filipe Guarda Felício e Madalena Isabel Pereira Pimentel da Silva, integrando também os votos temporários de Maria Filomena Brito, Mafalda Martinho, Rute Santos, Carolina Teotónio e Rebeca Oliveira Pereira.

A cerimónia assinalou ainda o jubileu de 25 anos de consagração de outra religiosa da congregação.

D. Rui Valério rejeitou a ideia de que a pobreza, a castidade e a obediência representem “negações da pessoa”, defendendo que os conselhos evangélicos constituem “a escolha de uma forma de existência na qual tudo é orientado para Deus”.

“Não se trata de diminuir o humano, mas de o abrir, pela graça, à participação na própria vida de Deus”, clarificou o patriarca, sublinhando que a pobreza proclama que “nenhuma posse pode preencher o coração humano” e a obediência revela que “a liberdade alcança a sua grandeza não quando se fecha na própria vontade, mas quando aprende a acolher uma vontade maior”.

A intervenção, publicada pelo Patriarcado de Lisboa, apresentou a profissão de votos como a capacidade de “acolher no tempo aquilo que pertence à eternidade”, desafiando as religiosas a serem “o protótipo da nova humanidade” através da vida comunitária.

O presidente da celebração apelou a que as consagradas assumam o destino das pessoas que as rodeiam “nos desertos da vida da humanidade”, alertando que a “fecundidade” da sua existência se medirá “pela capacidade de guardar o outro diante de Deus”.

D. Rui Valério dirigiu ainda palavras à religiosa que celebrava o jubileu, enaltecendo a sua fidelidade face às “diferentes estações de uma vocação”, desde os dias luminosos até às horas de provação em que “tudo parece entregue ao silêncio de Deus”.

OC

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