Paula Pimentel, DIocese e Bragança-Miranda
Os lares de idosos vivem hoje uma realidade cada vez mais exigente. Cuidar de uma pessoa idosa, sobretudo quando esta se encontra numa situação de maior fragilidade, dependência ou vulnerabilidade, não é apenas prestar cuidados: é assumir uma enorme responsabilidade humana, técnica e emocional.
A família continua a ser família. E deve continuar presente, próxima e implicada. O bem-estar e a qualidade de vida da pessoa idosa não podem ser responsabilidade exclusiva do lar. Todos temos um papel a desempenhar. A instituição tem o dever de cuidar com profissionalismo, rigor, conhecimento e coração, mas a família tem também o dever de acompanhar, participar, compreender e assumir a sua responsabilidade.
Não é justo nem adequado transferir integralmente para a instituição uma responsabilidade que deve ser partilhada e que, em determinados momentos, se pretenda entregar ao lar toda a responsabilidade pelo familiar idoso e, depois, transformar os profissionais em alvo de críticas ou acusações sempre que surge uma dificuldade. Cuidar de uma pessoa frágil é um trabalho complexo, que exige conhecimento, experiência, formação contínua, rigor e, acima de tudo, humanidade.
Por isso, é fundamental que exista uma verdadeira relação de parceria entre a família e o lar. Uma parceria baseada no respeito, na confiança, na comunicação e na compreensão das dificuldades que todos enfrentamos.
E há algo que não podemos esquecer: por detrás de cada colaborador está uma pessoa que todos os dias dá o seu melhor para cuidar de outra pessoa. Não podemos permitir que um profissional seja injustamente apontado, desvalorizado ou criticado por um familiar sem que se conheça a realidade dos cuidados prestados, as circunstâncias e a complexidade de cada situação.
Defender os nossos colaboradores não significa ignorar erros ou deixar de ouvir as famílias. Significa garantir que qualquer preocupação é tratada com respeito, diálogo, verdade e justiça. Se há algo a melhorar, melhoramos. Se há um erro, analisamo-lo e corrigimo-lo. Mas não podemos permitir julgamentos precipitados nem acusações que desvalorizem o trabalho de quem cuida.
A pessoa idosa deve estar sempre no centro de tudo. E, para que isso aconteça, família, instituição e profissionais têm de caminhar no mesmo sentido.
Cuidar de quem está fragilizado é uma das maiores responsabilidades que podemos assumir. Exige competência, rigor, formação, paciência, empatia e coração.
E exige também respeito por quem, todos os dias, escolhe estar ao lado de quem mais precisa.
Cuidar é uma responsabilidade partilhada. A pessoa idosa merece que todos estejamos à altura dela.
A confiança constrói-se quando as famílias sabem que serão sempre ouvidas e os profissionais sabem que serão sempre tratados com justiça.
Paula Pimentel, Presidente da Direção da União das IPSS do distrito de Bragança, e Vice-Presidente da Fundação Betânia.
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