XI Simpósio do Clero: As comunidades têm de ser «lugares saudáveis e seguros para todos», afirmou D. Virgílio Antunes

Presidente da Conferência Episcopal apontou «desafios específicos» que se colocam aos padres, na atualidade, «reféns da multiplicidade de atividades»

Foto Agência ECCLESIA/PR, D. Virgílio Antunes

Fátima, 31 ago 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) apontou “desafios específicos” que se colocam ao clero, na atualidade, referindo a necessidade garantir que, em cada comunidade, “não haja qualquer forma de abuso”.

“Precisamos de continuar a trabalhar de forma persistente para que as comunidades a que presidimos sejam lugares saudáveis e seguros para todos, onde impera o respeito por cada um e onde não haja qualquer forma de abuso”, afirmou D. Virgílio Antunes na sessão de abertura do XI Simpósio do Clero, que iniciou hoje em Fátima.

O presidente da CEP lembrou “a visão frequentemente negativa que marca o modo como é vista a Igreja e o seu clero na sociedade atual”, umas vezes por causa de “preconceitos” e outras devido a “debilidades pessoais”.

D. Virgílio Antunes apontou para a necessidade de “encontrar os caminhos de presença feliz, adequada e equilibrada na sociedade e na Igreja”, tendo por propósito o “bem-estar pessoal” e a “dimensão missionária” do ministério sacerdotal.

“As tendências para a luta e o confronto aberto com a sociedade secularizada ou hostil, bem como a fuga do mundo para terrenos distantes ou para fortalezas que construímos em nossa defesa, fazem de nós pessoas ásperas e distantes”, sublinhou.

Como desafios específicos ao clero, o presidente da CEP começou por afirmar a necessidade de, no contexto de uma sociedade secularizada, um “forte enraizamento em Cristo e a um sério aprofundamento da espiritualidade cristã, ancorada nas suas bases fundamentais, a Palavra de Deus, a Eucaristia, os Sacramentos”.

Foto Agência ECCLESIA/PR, XI Simpósio do Clero

“Tendo em conta o individualismo cultural tão presente em nós, somos chamados a intensificar a vida comunitária, tanto dentro dos presbitérios como na inserção na comunidade cristã, à qual pertencemos como cristãos e à qual somos dados como pastores”, acrescentou.

D. Virgílio Antunes referiu depois que o “sentido de pertença ao povo de Deus” e a dimensão sinodal da Igreja oferece “o quadro adequado” para a vivência do sacerdócio “como serviço e como oferta” de cada um.

O bispo de Coimbra lembrou também o número de sacerdotes atualmente existentes nas várias dioceses e a “elevada média etária”, assim como os novos modelos de organização da vida pastoral, os sacerdotes enfrentam “a urgência” da revisão do modo como são padres, que “não podem ficar reféns da multiplicidade de atividades, da sobreocupação do tempo ou até das exigências expressas por pessoas e por grupos, por vezes mais movidas pelas tradições sociais e culturais do que pelo zelo da fé”.

“São importantes os projetos pastorais comunitários, que destaquem as prioridades da ação, que incluam os fiéis na participação a seu modo e que manifestem compreensão pela vocação e pela missão dos sacerdotes”, acrescentou na comunicação que fez na sessão de abertura.

A 11ª edição do Simpósio do Clero de Portugal decorre até ao dia 3 de setembro, no Centro Paulo VI, em Fátima, e tem por tema «Irmãos no sacerdócio e testemunhas do Evangelho».

PR

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