D. Vitalij Skomarovskyi assinalou os 35 anos da independência do país, que sofre com invasão russa há quatro anos

Cidade do Vaticano, 24 ago 2026 (Ecclesia) – O presidente do episcopado ucraniano de rito latino, afirmou, aos meios de comunicação do Vaticano, que se mantêm as orações pelo fim da invasão russa da Ucrânia e destacou a importância da assistência ao povo do país.
“Continuamos a rezar para que esta guerra termine o mais depressa possível”, disse D. Vitalij Skomarovskyi, em entrevista divulgada hoje a propósito dos 35 anos de independência do país, que se assinalam hoje.
O bispo destacou a “grande experiência” da “solidariedade”, valorizando a” extraordinária proximidade demonstrada por tantas pessoas, vindas de todos os cantos da Terra, em relação ao povo ucraniano”.
“E essa solidariedade, juntamente com o apoio material e espiritual, é duradoura: as pessoas não se cansam de rezar por nós e de nos ajudar. Isso é um dom imenso. Essa solidariedade não nasce de imposições, mas brota diretamente do coração; é a voz do coração das pessoas. E tudo isso nos dá muita força e esperança”, referiu.
Os quatro anos de guerra na Ucrânia, que se iniciaram a 22 de fevereiro de 2022, levam D. Vitalij Skomarovskyi a concordar plenamente com São João Paulo II, reforçando que “a guerra é um grande flagelo e, se existe a mínima possibilidade, é preciso fazer de tudo para evitá-la”.
“A paz é um dom imenso, enquanto a guerra é um mal incomensurável para todos aqueles que se veem envolvidos nela”, sublinhou.
O presidente do episcopado ucraniano de rito latino lembra que a Ucrânia se encontra numa situação em que é obrigada a defender-se, porque foi agredida: “O nosso povo é obrigado a ir para o fronte de batalha para proteger o próprio país: esse é um valor tão grande que temos dificuldade de compreendê-lo plenamente”.
“Chamamos-lhe de Pátria, é a nossa casa comum, a nossa morada compartilhada. Quando um inimigo invade, arrombando as janelas e derrubando as portas, qualquer pessoa defenderia sua família e seus entes queridos”, ressalta.
D. Vitalij Skomarovskyi aponta que o inimigo não veio simplesmente “impor um sistema político diferente ou ditar novas regras eleitorais”, mas “para matar e destruir”.
Sobre os 35 anos de independência da Ucrânia, o bispo descreve “um período muito longo e repleto de acontecimentos”, evocando a “grave crise económica dos anos 1990” e o conflito desde 2014, que desembocou na “agressão em larga escala” em 2022.
“Hoje vivemos num Estado independente e desfrutamos de uma verdadeira liberdade de consciência, não apenas escrita no papel. Cada pessoa tem a possibilidade de professar e testemunhar a própria fé”, disse.
O bispo de Lutsk lembra que a “Igreja e a religião eram sistematicamente perseguidas” e que “em alguns períodos, a perseguição foi sangrenta; noutras, mais silenciosa”.
“Esses 35 anos de independência e de liberdade religiosa representam uma experiência absolutamente única para o nosso país. Certamente, a Igreja hoje enfrenta novos desafios e problemas inéditos, mas, sempre que celebramos o Dia da Independência, agradecemos ao Senhor pelo inestimável dom da liberdade de que desfruta nossa comunidade”, salientou.
| A propósito desta data, o presidente da República Portuguesa enviou uma mensagem vídeo ao homólogo ucraniano e a todos os cidadãos ucranianos, manifestando que o apoio de Portugal ao país “continua e continuará a ser incondicional, tal como tem sido desde o primeiro dia”.
“Portugal continuará a prestar apoio político, humanitário, financeiro e militar à Ucrânia enquanto for necessário”, pode ler-se no texto disponibilizado pela presidência da República, no qual o chefe de Estado “formulou votos muito sinceros para que as comemorações do 24 de agosto de 2027 decorram já em tempo de Paz”. Segundo António José Seguro, “hoje é dia para honrar aqueles que defendem esta independência no terreno, é dia para reconhecer o sacrifício de tantas famílias, é dia para reafirmar a capacidade de um povo de manter viva a soberania, mesmo quando ela é direta e reiteradamente desafiada”. |
LJ
