Igreja/Portugal: «A música sacra e a música litúrgica nas nossas dioceses precisam de novos cuidados», defende padre Joaquim Ganhão

Domus Carmeli, em Fátima, acolhe, até 30 de agosto, dois níveis de formação de Curso de Música Litúrgica, reunindo 70 participantes

Foto: Secretariado Nacional de Liturgia

Fátima, 22 ago 2026 (Ecclesia) – O diretor do Secretariado Nacional de Liturgia (SNL) recordou, esta sexta-feira, em Fátima, que a música sacra possui critérios e exigências próprios, defendendo a necessidade de uma formação séria, competente e permanentemente renovada.

“A música sacra e a música litúrgica nas nossas dioceses precisam de novos cuidados”, afirmou o padre Joaquim Ganhão, numa nota do SNL enviada à Agência ECCLESIA.

As declarações foram feitas na sessão de abertura do 2ºano do 7.º Curso de Música Litúrgica (CML) e do 1º ano do 8ºCurso de Música Litúrgica, que decorrem na Domus Carmeli, dos Carmelitas Descalços, em Fátima, reunindo 70 participantes, provenientes de 15 dioceses portuguesas, até 30 de agosto.

Os inscritos no percurso formativo são oriundos de Angra, Aveiro, Beja, Braga, Bragança, Coimbra, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Porto, Santarém, Setúbal, Vila Real, Viseu e Algarve.

Foto: Secretariado Nacional de Liturgia

O diretor do SNL convidou os participantes a assumirem um papel ativo perante os desafios que permanecem no contexto português relativamente à formação na música sacra e litúrgica.

“É preciso inverter essa marcha para trás, colocando-nos para a frente com criatividade, com inventividade, com competência e, para nós cristãos, com santidade”, afirmou.

O padre Joaquim Ganhão apresentou a formação como uma responsabilidade de todos, recordando que o caminho da música sacra no país não começa agora, mas é uma peregrinação que outros iniciaram e que as novas gerações são convocadas a continuar.

“Somos chamados a dar hoje o melhor de nós para que ela caminhe mais e melhor”, indicou.

Na intervenção, o diretor do SNL, nomeado em junho para o cargo, lembrou palavras do Papa Leão XIV na última audiência pública semanal, na quarta-feira, reforçando que “a música faz parte da ação litúrgica e não é mero adorno da celebração”.

De acordo com a nota, a sessão incluiu a apresentação da dimensão prática e organizativa doa formação.

O diretor do Serviço Nacional de Música Sacra, professor Emanuel Pacheco, foi o responsável pelo momento, recordando os participantes do carácter particularmente intenso destes cursos, que se realizam com dois níveis e cujos trabalhos integram disciplinas como Harmonia, Formação Musical, História da Música Sacra, Órgão, Canto, Direção de Coro e Liturgia.

Foto: Secretariado Nacional de Liturgia

Os participantes ficaram a conhecer conjunto de professores que asseguram a formação, num corpo docente que reúne especialistas das diferentes áreas.

“Somos um grupo de professores que estamos aqui como serviço, a prestar o serviço para uma coisa em que acreditamos piamente”, disse Emanuel Pacheco.

O responsável advertiu para a exigência do curso, admitindo que é “muito intenso”, e para a importância da assiduidade e do estudo pessoal.

Segundo Emanuel Pacheco, a participação plena nos diferentes momentos é indispensável para que os objetivos da formação sejam alcançados e lembrou que o trabalho destes dias conta essencialmente com a “entrega” e “vontade de fazer” dos participantes.

“Já são muitos anos que os cursos começaram, porque alguém teve esta ideia ótima de contribuir para que nós, na Igreja, tivéssemos mais e mais qualidade naquilo que é o nosso ministério, o ministério da música”, acrescentou.

A abertura da iniciativa ficou também marcada pelo reconhecimento o contributo de todas as pessoas e instituições que tornam possível os cursos, tendo o diretor do Serviço Nacional de Música Sacra agradecido, em particular, à Domus Carmeli, pela disponibilidade da casa para acolher a formação, bem como ao SNL e o Santuário de Fátima.

O responsável destacou ainda o contributo da Casa de Órgãos e Sinos de Braga, que, desde 1991, disponibiliza gratuitamente instrumentos para as edições do CML.

Foto: Secretariado Nacional de Liturgia

“Estas obras constroem-se com o trabalho de muita gente e com a entrega de muita gente», destacou.

A sessão de abertura terminou com um convite à oração, recordando que a formação musical litúrgica não pode ser separada da vida de fé e do serviço à comunidade cristã, informa o SNL.

O Curso de Música Litúrgica foi criado em 1991 e tem como finalidade “preparar agentes de música da Igreja” – organistas, salmistas, diretores de coro e animadores da assembleia – para o “exercício responsável e consciente do seu ministério ao serviço da liturgia”.

LJ

Igreja/Portugal: Secretariado Nacional de Liturgia promove o 8.º Curso de Música

Partilhar:
Scroll to Top