Igreja/Portugal: Juventude Hospitaleira realizou férias solidárias com utentes de saúde mental

«Eles ficam mesmo muito felizes por ter a nossa atenção, no fundo, é o mínimo que poderíamos dar por estar aqui», afirma Mariana Filipe

Foto: Agência ECCLESIA/PR

Sintra, 15 ago 2026 (Ecclesia) – As Ordens Hospitaleiras – os Irmãos de São João de Deus e as Irmãs do Sagrado Coração de Jesus – acolheram jovens que estiveram com os seus utentes em campos de férias, nas casas de saúde do Telhal e da Idanha.

“Nós passamos esta semana com os utentes, a dialogar com eles, a fazer jogos, e a perceber um bocadinho da realidade de outras pessoas. Eu acho que o real motivo da caridade não é só ajudar o outro, mas também receber aquilo que para nós é a missão, que conseguimos extrair das pessoas e as realidades diversas para além da que nós mesmos vivemos”, disse Luna Gregório, da Juventude Hospitaleira, à Agência ECCLESIA.

Já Susana Manuel viveu “uma realidade completamente diferente”, e confessa que ficou “meio receosa”, mas decidiu ir para uma semana hospitaleira que estava “a ser muito emocionante, diferente do que estava à espera”, e com a ajuda da Luna e da Mariana “foi mais fácil para falar com os utentes”, e estar na casa de saúde.

“Em nenhum momento fiquei assustada ou perdida, porque se eu precisasse de ajuda elas estavam cá para ajudar, até o padre, e outros funcionários. É uma semana que eu não estava à espera”, salientou a jovem hospitaleira.

O padre Alberto Mendes, dos Irmãos de São João de Deus, explica que, no início, ao contactarem com o doente mental alguns jovens “ficam um bocadinho atrapalhados, e preocupados”, têm receios e medos sobre como é que vão fazer, ou “até já ouviram falar do doente mental porque é agressivo, isto e aquilo”, mas, ali, “desmontam tudo”.

“Fica com uma abertura a esta realidade de uma forma muito diferente, deixam de ter medo, querem experimentar mais, e querem, no dia-a-dia, fazer mais atividades e trazer outros, o que é muito interessante”, acrescentou o sacerdote, na casa de Saúde do Telhal que há quase 50 anos recebe jovens nestes campos de férias.

“É mesmo aqui onde tenho essa oportunidade que Deus me dá de poder praticar a caridade. E no fundo é uma coisa que também me deixa alegre, eu ajudo-os e eles ajudam-me” – João Barata

A irmã Fernanda Caetano destaca a oportunidade dos jovens, nestes campos de férias hospitaleiros, puderem também “potenciar o lado mais solidário”, de estarem ao serviço e de “acolher muito aquilo que também o Evangelho diz”, de irem e fazerem “o bem”.

“É uma boa oportunidade de conhecimento pessoal, de encontro com Deus, muito a partir daquele que é o mais frágil, e de se sentirem, sobretudo, úteis. Porque o jovem, hoje em dia, tem muito esta necessidade de se sentir útil, de não saber, muitas vezes, o que fazer e de não passar as férias todas no sofá”, assinalou a religiosa das Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, da Casa de Saúde da Idanha, em Belas, Sintra.

Para Beatriz Zacarias conhecer a vida dessas pessoas na casa de saúde, “como é que estas doenças podem impactar”, é pensar como é que também poderiam afetar quem conhece, “e como gostaria que elas fossem tratadas”.

“É sempre gratificante, e é muito alegre, ouvir as utentes dizer ‘eu gosto muito das auxiliares, elas tratam-me muito bem, são muito simpáticas’, e gostam muito de ter os jovens e os voluntários cá. Então, é sempre uma experiência muito agradável”, acrescentou a jovem voluntária à Agência ECCLESIA.

Mariana Filipe, a amiga de Susana Manuel, lembra que no Natal os utentes queriam “muito mais conversar”, agora, e como já se conheciam, fizeram outras coisas, jogaram “às cartas, dominó”, exploraram “a área do bar, que é onde eles gostam muito de ficar”, e foram à Missa.

“Eles ficam mesmo muito felizes por ter a nossa atenção, no fundo é o mínimo que nós poderíamos dar por estar aqui com eles. E eles também têm sentido e têm transmitido esse amor que sentem de nós, sinto que é uma luz que eles acabam por trazer-nos também”, desenvolveu a jovem hospitaleira.

Elpídia Dende recorda que o seu primeiro contacto “foi um bocado impactante, porque não estava à espera”, os utentes dos Irmãos de São João de Deus e das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, “às vezes, não falam”, e estes jovens têm “de ter bastante paciência, de ir puxando alguns assuntos”, mas, no final do dia, “é mesmo gratificante”, porque puderam “dar um bocadinho” de si e “também receber, aprender e escutar”.

Os campos de férias solidários que as duas Ordens religiosas Hospitaleiras realizaram nestas férias de verão estão em destaque no Programa 70×7, deste domingo, dia 16 de agosto, onde os jovens também dizer ‘o que é hospitalidade’, na RTP 2.

PR/HM/CB

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