Migrações: «Portugal é o nosso país, é um país acolhedor», afirma Virgínia Dias, da comunidade cabo-verdiana da Amora

Diocesana de Setúbal explica que a «emigração é um bocadinho complicada», e também partilhou dificuldades

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Fátima, 13 ago 2026 (Ecclesia) – A comunidade cabo-verdiana da Quinta da Princesa, da Paróquia da Amora, na Diocese de Setúbal, destacou que “Portugal é um país acolhedor”, mesmo com “algumas dificuldades”, na Peregrinação do Migrante e do Refugiado 2026, ao Santuário de Fátima.

“Portugal é o nosso país, nós somos, dizem, segundo portugueses, mas sentimos que somos primeiros portugueses. Os meus bisavôs são dos Açores e da Madeira, e nós temos aquela mistura”, disse Virgínia Dias, esta quarta-feira, em declarações à Agência ECCLESIA, no Santuário de Fátima.

A entrevistada, da comunidade cabo-verdiana da Quinta da Princesa, na freguesia de Amora (Seixal), explicou que quando vêm para Portugal se sentem em casa, uma casa que não conhecem “os cantos”, mas que “está de portas abertas, que sabe quantos quartos é que tem, quantos que pode receber”.

“Nós ficamos naturalmente bem, porque Portugal é um país que, graças a Deus, estamos aqui e outros, e não temos razão de queixa. Portugal é um país acolhedor, é um país que fala a nossa língua, não temos problemas com isso”, realçou Virgínia Dias.

Segundo esta diocesana de Setúbal, que participa na Peregrinação Nacional do Migrante e do Refugiado 2026, “uma coisa é certa, emigrar, sair de casa, é arriscar”, as pessoas que o fazem não conhecem “o futuro”, o que é que podem encontrar.

“Emigração é um bocadinho complicada. Quando chegamos encontramos outra realidade, claro, é diferente. A língua favorece-nos, a nós cabo-verdianos, e dos países de língua oficial portuguesa, mas há um bocadinho de divergência, porque nós temos outra cultura e Portugal tem a sua própria cultura, a sua gente”, desenvolveu Virgínia Dias.

Para a entrevistada da Paróquia da Amora, Portugal tem “uma gente boa”, a cultura é um bocadinho diferente, “senão não seria um mundo, o mundo é mesmo assim”, enquanto “algumas dificuldades” que sentem são por “causa do trabalho, conhecer as pessoas”, de saber onde devem ou não entrar, que “dificulta um bocadinho”.

A Paróquia sadina da Amora está entregue ao serviço pastoral da Congregação dos Missionários de São Carlos (scalabrinianos), e Virgínia Dias destacou que na Quinta da Princesa têm organizado algumas ‘festas dos povos’, com “tantas riquezas para partilhar”, desde 2002.

“Temos a diversidade das culturas, juntamos todos os países, de todas as línguas, para conhecermos a realidade um do outro. É raiz, porque somos da paróquia dos imigrantes, o nosso padroeiro é João Batista Scalabrini, não podia ser melhor”, acrescentou a entrevistada do Grupo Coral Católico de Santa Cecília.

A Igreja Católica em Portugal está a celebrar a 54.ª Semana Nacional de Migrações, desde domingo, com o tema ‘Da fragilidade à Esperança’, até dia 16 de agosto; do programa destaca-se a Peregrinação do Migrante e do Refugiado, ao Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13, integrada na Peregrinação Internacional Aniversária de agosto à Cova da Iria, este ano, presidida pelo núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso.

Segundo Virgínia Dias, para a comunidade cabo-verdiana ir a Fátima “significa continuar a peregrinar na terra, e chegar à mão da Mãe Santíssima”.

A comunidade cabo-verdiana também participou na oferta de trigo ao Santuário de Fátima, que, este ano, se realizou pela 86.ª vez, uma tradição iniciada na peregrinação de agosto, em 1940.

HM/CB

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