Luís Miguel Figueiredo Rodrigues inicia ciclo de reflexões sobre «Magnifica Humanitas», de Leão XIV
Lisboa, 08 ago 2026 (Ecclesia) – O diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) alertou para a urgência de uma supervisão democrática sobre a inteligência artificial (IA), rejeitando monopólios de grandes empresas tecnológicas sobre o conhecimento humano.
“Se é um bem comum, tem de ser regulamentado, protegido, e ter em conta que todos tenham acesso a esse bem comum”, defendeu Luís Miguel Figueiredo Rodrigues, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O sacerdote elogiou a coragem do Papa Leão XIV ao intervir publicamente sobre uma tecnologia ainda em pleno desenvolvimento através da encíclica ‘Magnifica Humanitas’, a primeira do seu pontificado..
“Temos de estar aí com o coração entregue a Cristo, mas, ao mesmo tempo, a reconhecer, a participar, a ter uma palavra ativa”, sublinhou o teólogo português, a respeito das transições culturais.
O docente da UCP manifesta preocupação com a apropriação indevida do saber coletivo da internet por parte de entidades privadas, que capitalizam a informação global através de assinaturas pagas.
“Nós estávamos a ser usados para treinar a inteligência artificial”, lamentou o investigador ao recordar a fase inicial de disponibilização gratuita destes sistemas aos cidadãos, pedindo que cada utilizador seja “o mais esclarecido possível e exigente”.
O especialista identifica a necessidade de “uma postura moral da comunidade que utiliza” a IA para evitar que as questões éticas levantadas pelo seu desenvolvimento sejam remetidas apenas para o âmbito das empresas que a desenvolvem.
Segundo o entrevistado, a facilidade das respostas instantâneas fornecidas pela IA contribui para uma perda da “paciência” intelectual e da capacidade de manter a” tensão” necessária para a aprendizagem.
O padre Luís Miguel Figueiredo Rodrigues entende que a academia precisa de treinar os estudantes para o sentido crítico e para “fazer aquelas perguntas que valem a pena ser respondidas, algo de que a inteligência artificial, por si, não é capaz”.
O investigador entende que a ilusão de infalibilidade das máquinas ignora a importância das opções erradas na construção da sabedoria humana e do discernimento moral.
” A inteligência artificial nunca erra e nunca diz que não sabe”, alertou o diretor da Faculdade de Teologia da UCP, lembrando que os seres humanos constroem a sua empatia precisamente através do reconhecimento das suas próprias fragilidades.
O docente reconhece ainda que a uniformização dos textos gerados por algoritmos dilui a identidade individual, avisando o perito que a delegação excessiva nestas ferramentas faz com que os utilizadores percam a sua voz e o seu “estilo próprio”.
A entrevista vai ser emitida este domingo, na RTP Antena 1 (06h00), iniciando um ciclo de conversas sobre a IA, à luz da encíclica de Leão XVI publicada a 25 de maio, que aborda os enormes éticos e antropológicos levantados por estas ferramentas digitais.
OC
«Magnifica Humanitas»: Papa exige desarmamento tecnológico e rejeita teoria da «guerra justa»
