Projetos «Ponto de Partida», «Mais Longe» «Justiça Contigo», «Anda Daí» e «Amigos p’ra Vida», desenvolvidos pela associação, são apostas num trabalho em rede e cada vez mais credível junto da sociedade civil

Lisboa, 21 ago 2026 (Ecclesia) – A associação ‘A Candeia’ promove campos de férias para crianças e jovens que habitam em residências de acolhimento, desocultando uma realidade “silenciada” mas que deve responsabilizar a sociedade.
José Maria Cordeiro, atual tesoureiro a finalizar funções na associação, lamenta à Agência ECCLESIA, que a “realidade do acolhimento” seja “silenciada” e que este seja um tema “que não está na agenda mediática porque não dá votos”, mas incita à “responsabilidade individual” dos cidadãos para construir uma sociedade mais inclusiva.
O responsável reconhece nas atividades que desenvolvem um espaço onde “se ama verdadeiramente e se é amado”.
“Nós somos mesmo feitos para isto: temos uma ânsia de ser amados e de amar também, que às vezes é menos óbvio. As atividades relembram, aos participantes e a quem organiza, que todos merecem e têm direito ser amados”, regista.
Dos primeiros campos de férias em 1991, houve necessidade de dar estrutura à Associação, que nasceu em 1998, e se tem consolidado na relação com casas de acolhimento para crianças e jovens, sendo um parceiro “credível” que estende a sua atividade.
“A Candeia tem-se consolidado como uma associação de confiança, e estas instituições que acolhem crianças e jovens olham para o trabalho que fazemos com confiança, estabelecendo uma rede. Isso é evidente quando olhamos para os números de crianças e jovens e de casas acompanhadas”, explica o tesoureiro.
José Maria Cordeiro indica que a associação está a “avançar” para novas frentes de trabalho e projetos que não se circunscrevem a uma relação “lúdica” com as crianças e jovens, mas que procura acompanhar de forma consistente a vida das pessoas.
“Estamos a procurar estender as atividades para o Porto, para Évora, para Fátima, sintoma da confiança que a sociedade civil está a depositar na associação”, reconhece.
Leonor Felgar, atriz e encenadora, chegou à associação através da criação e um espetáculo em que foi sendo marcada pelo testemunho dos animadores, que integravam a equipa de escrita, e acabou a ser monitora de campos de férias e a deixar-se tocar pessoalmente pelo trabalho da associação.
Através do projeto ‘Amigos p’ra vida’, Leonor Felgar e a sua família, acompanham de forma mais próxima três irmãos, acolhidos residencialmente numa instituição, procurando ser uma presença constante nas suas vidas.
“Contactar com a realidade, altera a forma como eu quero viver a minha vida, a quem eu quero doar-me e dar o meu tempo”, explica a atriz.
“Há crianças e jovens que, perante um infortúnio na vida têm de ser alvo de um cuidado e atenção especiais. Temos de desmistificar, porque estas são pessoas como nós, que têm os mesmos desejos, têm a mesma natureza, os mesmos anseios. A sua história é outra mas podia acontecer a qualquer um de nós”, justifica José Maria Cordeiro.
A associação ‘A Candeia’ desenvolve ainda o projeto «Ponto de Partida» destinado a ajudar jovens que procuram integração no mercado de trabalho; o projeto «Mais Longe» está a levar a associação a “expandir as atividades para Évora, para Fátima e Porto”; o projeto «Justiça Contigo», apresenta, segundo José Maria Cordeiro, “uma vertente de apoio jurídico, para ajudar no apoio especializado” e oferecer “literacia jurídica, ajudando os jovens adultos na formação para direitos e deveres”; e o projeto «Anda Daí», que organiza atividades lúdico-pedagógicas durante todo o ano através de visitas regulares às casas de acolhimento.
A conversa com Leonor Felgar e José Maria Cordeiro pode ser acompanhada no programa ECCLESIA, com emissão na RTP Antena 1, sábado às 06h00.
LS
