Viana do Castelo: «Romaria da Nossa Senhora da Agonia deve ser construtora de comunidade» – Padre Renato Oliveira

Festas que decorrem entre 15 e 23 de agosto são forte momento de «religiosidade popular» e têm conseguido agregar diferentes gerações e nacionalidades que escolhem religião para viver

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 14 ago 2026 (Ecclesia) – O padre Renato Oliveira, pároco de São Romão do Neiva, na diocese de Viana do Castelo, disse que a festa da Senhora da Agonia, tal como as festas paroquiais, devem ser “construtoras de comunidade”, contrariando a “sociedade polarizada”.

“As nossas festas têm de ser construtoras de comunidade e de comunhão. Quando se acentuam algumas divisões numa sociedade tão polarizada, eu creio que as nossas festas, em concreto, as nossas festas religiosas, devem ser lugares de encontro, lugares de comunhão, escolas de fraternidade, um pouco em contraposição com tantos muros que às vezes se levantam nas nossas sociedades”, conta à Agência ECCLESIA o sacerdote da diocese minhota.

A Romaria em honra de Nossa Senhora da Agonia realiza-se, anualmente, na cidade de Viana do Castelo, a partir deste sábado, dia 15, até ao dia 23.

O sacerdote, também chefe de gabinete de D. João Lavrador, bispo de Viana do Castelo, fala da celebração como um “momento fortíssimo da identidade vienense”, partilhada por todos os que escolham a cidade para fazer a sua vida.

“É uma celebração para todos os que ali se sentirem bem, para todos aqueles que quiserem fazer festa connosco. Há muitas pessoas migrantes que integram os desfiles e isso é muito positivo. Há vozes que defendem que os desfiles deveriam ser participados apenas por pessoas de Viana, e a organização não tem enveredado por esse caminho, a meu ver muitíssimo bem. Sendo uma festa naturalmente dos vianenses é de todos aqueles que escolhem a nossa cidade para viver. É uma festa de portas abertas”, explica.

O padre Renato Oliveira fala em dias “muito significativos”, “quer do ponto de vista religioso, como pelas tradições que ali se mantém”, fazendo das ruas “um museu vivo”.

“O folclore, a etnografia é uma componente fundamental das nossas festas. São as pessoas que estão nos grupos folclóricos, que descem à avenida, nos grupos de bombos, nas bandas de música. São as pessoas que protagonizam os diversos quadros das exposições, quadros religiosos. Eu creio que este é, talvez, o lado que faz da nossa festa uma festa particularmente especial, feita pelas pessoas de Viana”, relata.

Realizadas desde o século XVIII, o padre Remato nota que as tradições são passadas em geração em geração, sublinhando a participação de pessoas novas e crianças na organização.

“Olhamos para os grupos folclóricos, para os desfiles, para o cortejo etnográfico, e vemos já uma grande quantidade de crianças, de adolescentes, de jovens, trajados com os trajes próprios da nossa região. Abrem as inscrições para o desfile da Mordomia ou para o cortejo, e os lugares são preenchidos muito rapidamente – este ano chegaram às mil inscrições em pouco tempo”, traduz.

Quem cresceu em Viana do Castelo, habituou-se a “ver em Maria, invocada como Senhora da Agonia”, uma “mãe que protege, que ampara”, sendo um “forte vínculo, especialmente juntos dos pescadores”.

“Na zona da Ribeira, em concreto, essa figura maternal e protetora, tem uma intensidade e uma força ainda maiores”, indica.

Traduzindo-se como uma celebração de forte religiosidade popular, e “valorizando essa dimensão”, a Diocese de Viana do Castelo tem procurado fazer destes dias um importante “encontro eclesial”.

A celebração da Romaria em honra de Nossa Senhora da Agonia vai estar no centro do programa ECCLESIA, emitido este sábado, pelas 06h00, na RTP Antena 1.

LS

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