Igreja: «Há angústia e tristeza em muita gente» – Isabel Figueiredo quer refletir e provocar «mudanças» na situação das pessoas recasadas

Diretora de conteudos religiosos da Rádio Renascença é, desde junho, secretária da Comissão Episcopal Laicado, Família e Vida

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 29 jul 2026 (Ecclesia) – Isabel Figueiredo, secretária da Comissão Episcopal Laicado, Família e Vida, tutelada desde janeiro pelo cardeal Américo Aguiar, diz que, conhecendo a realidade, gostaria de criar espaço reflexivo sobre a realidade das pessoas recasadas.

“É um tema que me é caro, é um tema em relação ao qual eu penso que a Igreja terá de caminhar, irá continuar a caminhar. Mas para haver uma mudança, tem de haver discussão e antes da discussão, tem de haver reflexão. E só refletimos quando falamos uns com os outros, quando conversarmos uns com os outros, quando nos ouvimos uns e outros”, salienta à Agência ECCLESIA.

A antiga diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Socias da Igreja católica explica ter passado por um primeiro casamento, “alvo de processo de nulidade”: “Eu pertenço ao grupo das pessoas que puderam casar pela segunda vez pela Igreja”.

“Eu conheço a angústia de muita gente, conheço a tristeza de muita gente. É verdade que o Papa Francisco abriu, efetivamente, portas, mas ao dia de hoje, em quantas dioceses deste mundo inteiro, nós conseguimos fazer aquilo que nos foi pedido?”, acrescenta ainda a diretora de conteúdos religiosos da Rádio Renascença.

O Papa Leão XIV convocou, para outubro, um encontro com os presidentes das Conferências Episcopais para assinalar os 10 anos da publicação da encíclica «Amoris Laetitia», que incide sobre temas da família, e avaliar o caminho feito desde então.

A responsável indica a importância de se apostar na formação para os sacramentos, procurando que quem os pede esteja devidamente preparado.

“A Igreja não está a ser errada, não está a atuar de forma errada nas dificuldades que coloca perante a realidade de um casamento que se desfez. O problema está na facilidade com que durante anos e anos e anos as pessoas casaram pela Igreja sem saberem exatamente ao que iam. E é aí que nós temos de trabalhar”, indica.

Nascida numa família cristã e católica, Isabel Figueiredo encontra nesse crescimento uma “normalidade na relação com a Igreja”, que foi cimentada no crescimento de uma comunidade paroquial e incentivada pelo pároco com que crescer, o padre Aleixo Cordeiro.

“Ele moldou uma geração e, pela experiência de comunidade paroquial que vivemos, nunca senti qualquer espécie de atração ou de necessidade de me vincular a um movimento ou grupo”, explica.

Chamada a exercer diversas funções e tarefas na Igreja católica – membro da equipa do processo sinodal no patriarcado de Lisboa, iniciado em 2016; membro do Conselho Pastoral do patriarcado de Lisboa; Comissão Diocesana de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis do patriarcado de Lisboa; responsável pelo Protocolo na área de Relações Externas na organização das Jornadas Mundiais da Juventude Lisboa 2023 – Isabel Figueiredo reconhece ter “dificuldade em dizer não a algumas pessoas” mas fala na importância da obediência e do serviço.

“Senti-me sempre muito livre em todas essas funções. Tive sempre a liberdade de dizer o que eu pensava, nunca me senti coagida em nenhum momento. Mas a obediência é relevante, sim. Se calhar também é por isso que é uma marca de toda a vida eclesiástica e da vida religiosa. Agora, não tenho que obedecer cegamente, mas tenho que obedecer com o coração e com a vontade”, explica.

A diretora de conteúdos religiosos da Rádio Renascença reconhece o aumento de pessoas “crentes sem religião” e aponta a necessidade de formar pessoas para a comunicação na Igreja, capaz de responder à “sede de Deus” que o mundo apresenta.

A conversa com Isabel Figueiredo pode ser acompanhada no programa ECCLESIA, emitido esta noite na RTP Antena 1, e disponibilizado no podcast «Alarga a tua tenda».

LS

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