Coordenador geral do Sínodo Diocesano do Porto afirma a determinação em «dar espaço, dar vez e voz a todos», numa diocese que «é sempre um lugar de chegada e de partida, de encontro, de diálogo»

Maia, 18 jul 2026 (Ecclesia) – O coordenador geral do Sínodo Diocesano do Porto disse que houve “imediata adesão” à convocação sinodal, após a “surpresa, geral”, valorizando mais o processo do que “algumas propostas finais”, concretizando o caminho da Igreja Universal.
“Na nossa diocese, a opção é caminhar com a Igreja Universal e tudo fazer para que, internamente, este novo estilo de ser Igreja também possa ser assumido, protagonizado. Portanto, o nosso desejo não é fazer um caminho paralelo, é, no caminho que nos é proposto, estarmos atentos a nós próprios e contribuirmos para a receção, vivendo este sínodo”, explicou D. Joaquim Dionísio, bispo auxiliar do Porto, em entrevista à Agência ECCLESIA.
Segundo o coordenador geral do Sínodo Diocesano do Porto, “o grande resultado de um sínodo está no processo”, e o objetivo é “que este processo decorra”, porque “não é apenas um evento, com um início e um fim”, nem tem apenas “o objetivo de encontrar algumas propostas finais”.
D. Joaquim Dionísio assinala que o documento “propostas finais”, que o bispo do Porto, D. Manuel Linda, vai ter a oportunidade de apresentar à diocese, em junho de 2028, “é o resultado de um caminho que não fica encerrado ali”, e, até esse mês, daqui a dois anos, “é necessário que todos se sintam convocados” para o Sínodo Diocesano, que todos se assumam “protagonistas”, e que, na medida das suas possibilidades, participem neste caminho que querem “alargado, aprofundado, dialogado e discernido por todos”.
“Será sempre com o contributo de todos e, quantos mais forem, mais este processo é enriquecido. As propostas finais serão, certamente, poucas, porque isso é garantia de que sejam visitadas e cumpridas. E não tem o intuito de ser um final”, assinalou o bispo auxiliar.
O coordenador geral do Sínodo Diocesano do Porto afirma que se o sínodo e a caminhada sinodal “ensina algo” é que são “um nós”, o que não pretende aniquilar a diversidade, “mas congregar a diversidade numa unidade maior, mais perfeita, mais capaz de cumprir a missão”.
“Não há sínodo sem escuta, não há sínodo sem diálogo, não há sínodo sem discernimento. E para isso, às vezes, temos que abdicar de sermos o centro, porque o centro é só Jesus Cristo. Para isso, precisamos escutar os outros, e, às vezes, escutar quem não pensa como nós é extremamente exigente, mas só cumprindo isso somos capazes de crescer.”

O Sínodo Diocesano do Porto quer ser alargado a todas as pessoas que moram no território desta Igreja local, e D. Joaquim Dionísio realça que é a missão que os move, “a evangelização que está sempre a fazer-se”, por isso, todos podem dar o seu contributo.
“Não faria sentido não criar espaços, oportunidades”, para que aqueles que, habitualmente, não estão presentes, “aqueles que já não têm em si um sentido de pertença, e haverá oportunidade de convidar, “de dar espaço, dar vez e voz a todos”, incluindo os que “estão mais longe, mais indiferentes ou, às vezes, até distraídos”, afirmou.
D. Joaquim Dionísio disse que “não foi fácil” chegar ao lema do Sínodo Diocesano do Porto – ‘Formar, reformar, transformar’ – uma vez que necessitou do contributo de muitos, na consciência do caminho, dos eixos que terão de ser percorridos “nessa análise, nesse diálogo” que querem percorrer, e chegaram a essa formulação “depois do diálogo da partilha”.
O coordenador geral do Sínodo Diocesano explica que “ser Porto no sentido de diocese” identifica-os, diz quem são, “mas, ao mesmo tempo, o Porto é sempre um lugar de chegada e de partida, de encontro, de diálogo”, e, através dos três verbos do tema – formar, reformar e transformar – a diocese quer identificar três eixos.
O Programa 70×7 emitido na RTP2, este domingo (19 julho), sobre o Sínodo Diocesano do Porto, que foi formalmente convocado no dia 24 de maio, com a apresentação do decreto à diocese, conta ainda com os testemunhos da leiga Isabel Teixeira, a secretária-adjunta, do padre Amaro Gonçalo, secretário para a Coordenação diocesana da Pastoral, e a reportagem na Paróquia São Miguel da Maia, onde o Conselho Paroquial de Pastoral (CPP) tomou posse no último domingo.
LS/CB/PR
![]() O bispo do Porto anunciou a possibilidade de um sínodo diocesano, que não acontecia há mais de 300 anos, desde 1710, na peregrinação diocesana a Fátima, no dia 20 de setembro de 2025. A Diocese do Porto publicou online a Carta Pastoral para o Sínodo Diocesano 2026–2028 ‘Ser Porto: Formar – reformar – transformar’, assinada a 4 de junho, Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, pelo bispo do Porto, D. Manuel Linda, e bispos auxiliares, D. Vitorino Soares (entretanto nomeado bispo do Algarve), D. Joaquim Dionísio, D. Roberto Mariz. O Sínodo Diocesano do Porto vai decorrer até 4 de junho de 2028, dia de Pentecostes, e, ao longo destes dois anos, está previsto agora, no outono, percorrerem as vigararias em encontros de formação, “indo ao encontro de todos, para deixar elementos que possam sensibilizar, formar, preparar para a etapa seguinte”. Segundo D. Joaquim Dionísio, o o tempo da auscultação decorre no primeiro semestre de 2027, entre janeiro e junho, e vão formar “equipas sinodais” nas paróquias – 477 paróquias, nos secretariados, nas escolas, universidade, “onde quer que se encontrem”, a quem será fornecido um guião com textos e no método da conversação no espírito, “todos terão oportunidade de dialogar e apresentarão uma síntese”, que vai ser usada para redigirem um instrumento de trabalho, que querem apresentar no dia 8 de dezembro. “Será a partir desse instrumento de trabalho que decorrerá esse trabalho da Assembleia Sinodal, entre janeiro e abril de 2028. Depois disso, haverá tempo para o afinar das propostas, a sua redação, e para apresentação ao D. Manuel, que o aprovará, se assim achar. E esse que é o documento final será divulgado no dia 4 de junho, que é o dia do encerramento do sínodo”, concluiu o coordenador geral. Na sua página na internet, também encontra-se o regulamento geral do Sínodo Diocesano do Porto, a oração e o hino, com 10 estrofes, começa com uma referência geográfica, territorial: “Do Marão até à Foz, Terra de Santa Maria, Diocese a uma voz, Com vigor e harmonia: Ser mais Porto”. |

