«Reconhecemos que ele pertence àqueles a quem serviu», salientou D. Armando Esteves Domingues sobre o bispo açoriano que vai ser trasladado para Díli

Angra do Heroísmo, Açores, 09 jul 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra presidiu ao “último e derradeiro envio missionário” de D. Jaime Garcia Goulart, quando a diocese entregou os seus restos mortais aos representantes de Timor-Leste, esta quarta-feira, na igreja de Nossa Senhora do Carmo, na Horta.
“O olhar na eternidade que moveu o apóstolo e missionário D. Jaime continua a ser luz na história presente e futura em terras do Sol Nascente e estímulo para nós”, disse D. Armando Esteves Domingues, na homilia da Eucaristia de ação de graças, citado pelo portal online ‘Igreja Açores’ da Diocese de Angra.
Os restos mortais de D. Jaime Garcia Goulart, natural da ilha do Pico (Açores), na Diocese de Angra, e primeiro bispo da Diocese de Díli, em Timor-Leste, vão ser trasladados para a Catedral da Imaculada Conceição, na capital do país lusófono, uma iniciativa promovida pela Conferência Episcopal Timorense e pelo Governo da República Democrática de Timor-Leste, com a anuência da Diocese de Angra e da família do bispo açoriano.
O antigo bispo Jaime Garcia Goulart é um “filho da terra” e motivo de orgulho para a Diocese de Angra e para a sua família, mas, segundo o bispo diocesano, a Igreja Católica nos Açores compreende que “a sua vida, a sua obra e o seu sacrifício foram maiormente entregues ao povo de Timor”.
“Não foi apenas o primeiro bispo; foi o arquiteto da Igreja timorense moderna”, afirmou D. Armando Esteves Domingues, acrescentando que D. Jaime Garcia Goulart se tornou um verdadeiro símbolo da identidade nacional.
D. Jaime Garcia Goulart exerceu o ministério episcopal em Díli entre 1945 e 1967, e deixou uma marca profunda na história da Igreja Católica em Timor, de acordo com as autoridades timorenses “o seu legado permanece vivo na memória coletiva do povo timorense e na gratidão da Igreja que serviu com exemplar dedicação”.
“[Contribuiu] para o fortalecimento da fé católica, para a formação espiritual de sucessivas gerações de timorenses e para a preservação dos valores humanos e culturais, que continuam a marcar profundamente a identidade nacional”, acrescentam sobre o bispo açoriano.
“Reconhecemos que ele pertence àqueles a quem serviu”, salientou D. Armando Esteves Domingues, observando que D. Jaime Garcia Goulart não foi “um administrador de passagem”, mas marcou profundamente a Igreja, e em Timor-Leste, quase três décadas após a sua morte, e um país independente, o povo continuar a desejar tê-lo “para repousar no seu solo e entre os seus timorenses que muito ainda o amam”.
Para o bispo de Angra a trasladação dos restos mortais do primeiro bispo de Díli representa “um ato de justiça histórica, de gratidão e um momento importante para a consolidação da identidade nacional”, os valores da operação deste acontecimento de enorme significado histórico e espiritual foi assumido pelo Estado timorense.
D. Armando Esteves Domingues destacou o percurso de D. Jaime Garcia Goulart, que considerou um dos maiores missionários açorianos do século XX: natural da freguesia da Candelária, na ilha do Pico, nasceu a 10 de janeiro de 1908, partiu para Macau com 13 anos, integrou depois a missão de Timor, onde permaneceu durante 33 anos, foi administrador apostólico durante a ocupação japonesa e tornou-se o primeiro bispo da recém-criada Diocese de Díli, em 1945.
Na Eucaristia de ação de graças, na igreja de Nossa Senhora do Carmo, participaram dois sacerdotes timorenses e representantes da Embaixada de Timor-Leste em Portugal, autoridades civis e militares da Horta, e família do prelado, a celebração terminou com um rito próprio dos funerais timorenses.
D. Jaime Garcia Goulart faleceu em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a 15 de abril de 1997, foi sepultado no Cemitério de São Joaquim, e posteriormente transladado para o jazigo familiar no Cemitério do Carmo.
A Conferência Episcopal Timorense e o Governo de Timor-Leste informaram que os restos mortais de D. Jaime Goulart vão ficar na Catedral da Imaculada Conceição, ao lado do segundo bispo de Díli (1967-1977), o português D. José Joaquim Ribeiro (1918-2002), natural de Degolados (Campo Maior) na Arquidiocese de Évora, e de monsenhor Martinho da Costa Lopes, o administrador apostólico de Díli (1977-1983) natural de Laleia (1918) que faleceu em Portugal (1991), que também serão trasladados de Portugal para este país lusófono.
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