União Europeia: Bispos católicos propõem estratégia de paz perante «normalização da guerra»

COMECE publica contributo para debate sobre futura estratégia comunitária de segurança

Foto: Lusa/EPA

Bruxelas, 07 jul 2026 (Ecclesia) – Os bispos da União Europeia instaram as instituições comunitárias a travar a “normalização da guerra”, apelando a uma investimento na defesa que mantenha a paz como prioridade.

“O reforço da defesa europeia não deve ser considerado um fim em si mesmo, mas um meio para proteger vidas humanas, salvaguardar valores fundamentais e preservar a paz”, advertiu a Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE), num contributo público para o debate sobre a futura estratégia comunitária de segurança.

O documento, divulgado online, foca-se nas ameaças globais, alertando contra o domínio exclusivo de respostas de cariz militar.

“A Europa precisa de capacidades de segurança e defesa mais robustas. No entanto, uma segurança genuína e duradoura não pode ser alcançada apenas por meios militares. A União Europeia foi fundada como um projeto de paz. Num ambiente geopolítico em rápida transformação, a Europa é chamada não só a proteger-se a si própria, mas também a manter-se uma potência global”, indica a COMECE.

A União Europeia enfrenta os desafios de segurança mais graves das últimas décadas. A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, a instabilidade na vizinhança da UE, a crescente rivalidade geopolítica, as ameaças híbridas, os ciberataques, o terrorismo, o crime organizado e a erosão da ordem internacional baseada em regras exigem uma resposta europeia abrangente e credível.”

O texto dedica uma atenção particular aos desenvolvimentos tecnológicos na esfera bélica, reclamando um “controlo humano significativo” sobre qualquer sistema de inteligência artificial ou arma autónoma acionada para força letal.

“As armas nunca devem ser tratadas como bens comerciais comuns”, vincou o secretariado da COMECE, pedindo que o aumento das despesas do setor fique sujeito ao escrutínio parlamentar.

A reflexão rejeita uma visão focada apenas na força armada, lembrando que a segurança das populações é igualmente ameaçada pela pobreza, pelas alterações climáticas e pela erosão democrática.

“Prevenir conflitos violentos continua a ser mais eficaz, menos dispendioso e mais humano do que responder a crises depois de estas terem eclodido”, defendem os bispos católicos.

O documento cita o Papa Leão XIV, que repudiou o atual agravamento da corrida global aos arsenais.

Os países da União Europeia têm vindo a reforçar os seus orçamentos militares em resposta à agressão russa contra a Ucrânia e à instabilidade global, desenhando novas políticas no âmbito do ‘Livro Branco sobre a Prontidão da Defesa Europeia 2030’.

Neste contexto, a COMECE defende que as negociações do próximo Quadro Financeiro Plurianual protejam as dotações destinadas à diplomacia preventiva, impedindo que os gastos militares esvaziem a ajuda humanitária, o desenvolvimento e a ação climática.

O contributo editorial culmina com a proposta de criação oficial de uma ‘Estratégia Europeia de Paz’ que assuma um caráter transversal a todas as opções geopolíticas e socioeconómicas dos Estados-membros.

Em outubro, a COMECE vai receber os bispos responsáveis pelas Forças Armadas e de Segurança de toda a União Europeia para refletir sobre as dimensões éticas da política comum de segurança e defesa.

OC

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