Igreja/Portugal: «Quero ajudar a criar condições para que os jovens sejam os protagonistas», afirma cardeal Américo Aguiar

Novo presidente da Comissão Episcopal com o setor da Pastoral Juvenil participou no Conselho Nacional que decorre em Santarém

Foto Agência ECCLESIA/TAM

Santarém, 20 jun 2026 (Ecclesia) – O novo presidente da Comissão Episcopal Laicado, Família e Vida levou uma palavra de “coragem” ao Conselho Nacional da Pastoral Juvenil (CNPJ) e deseja “criar condições para que os jovens sejam os protagonistas”.

“A palavra de coragem para continuarmos o caminho juntos! Não é um terreno que seja 100% novidade para mim, mas, acima de tudo, quero ajudar a criar condições para que os jovens sejam os protagonistas”, disse D. Américo Aguiar esta sexta-feira, em declarações à Agência ECCLESIA.

O novo presidente da Comissão Episcopal Laicado, Família e Vida, eleito pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) para os próximo três anos, na assembleia plenária de abril, lembra que, como dizia o Papa Francisco e como diz agora o querido Papa Leão XIV, têm de “criar condições para que os jovens sejam os protagonistas” agora, porque “o hoje de cada um deles é importante” para a Igreja, não alinhando que “são os homens do amanhã”.

É urgente para nós, mas ninguém sabe melhor do que eles quais são as urgências e quais são as prioridades a que devemos dar resposta. Por isso, é muito importante ouvi-los, refletirmos juntos, e depois tomarmos decisões, também juntos, para corresponder a esses desafios que eles colocam à Igreja”..

Sobre os desafios que os jovens colocam à Igreja, o cardeal D. Américo Aguiar lembra que a questão da inteligência artificial (AI) e da tecnologia, a “dita revolução digital, não é novidade para eles”, porque é “a água que bebem diariamente, o aquário onde se sentem confortáveis”, por isso, “mais uma vez”, têm que “ser humildes, inteligentes para aprender com eles”, a saberem “nadar nestas águas” que não são aquelas onde aprenderam, “nomeadamente aquilo que significa o processo da comunicação”, e o processo de se relacionarem uns com os outros.

“A comunicação, e esta comunicação digital, está visivelmente a alterar o modo como nós nos relacionamos, e isso é um problema: é um problema para a Igreja, é um problema para as famílias e é um problema também para os jovens, que devemos estar particularmente sensíveis e atentos e encontrar respostas com eles”, acrescentou.

Para o cardeal que fica com a tutela da Pastoral dos Jovens e do CNE – Escutismo Católico na Comissão Episcopal a que preside, a questão legislativa de proibir a “utilização das redes até a idade X, até a idade Y”, que se assiste em alguns países, governos, alguns parlamentos, “algumas coisas já é tarde”, mas adianta que está “convencido que proibir as coisas não é a solução”, porque o mais importante é educar as pessoas para “uma utilização positiva, que seja benéfica para a pessoa, para a comunidade e para todos”.

O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), organismo da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), está a realizar o seu Conselho Nacional da Pastoral Juvenil (CNPJ) que reúne os secretariados diocesanos, as congregações religiosas e os movimentos deste setor, esta sexta-feira e hoje, dias 19 e 20 de junho, no Seminário de Santarém.

Foto Agência ECCLESIA/TAM

Na agenda deste CNPJ, explicou o diretor do DNPJ, está o Ano Pastoral 2025/2026, que está a terminar, fazer uma retrospetiva das atividades que realizaram “durante um ano”, por exemplo, na formação, perspetivar também o futuro, com o encontro Rejoice, a Jornada Nacional da Juventude 2026, de 24 a 26 de julho, em Lamego, “e a caminhada para a Seul”, a capital da Coreia do Sul que vai acolher a edição internacional da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em 2027, e apresentarem a estrutura deste organismo da CEP.

“Essencialmente, dois pontos: primeiro uma parte estrutural, nós conseguimos estruturar-nos em termos de pessoas a trabalhar no departamento, neste momento somos 10 pessoas no departamento nacional onde pensamos a pastoral dos jovens para Portugal. O segundo momento, que é o grande momento deste ano, o Processo Escuta 360, que culminou no quadro de referência, que foi aprovado na última Assembleia Plenária, e que lançámos e partilhámos no ‘Porto de Partida’”, explicou Pedro Carvalho, à Agência ECCLESIA

Segundo o diretor do DNPJ, o novo Quadro de Referência para a Pastoral Juvenil, da Igreja Católica em Portugal, “está a ser bem recebido” porque escutaram os jovens “durante um ano e quatro meses”, e aquilo que eles transmitiram “está no documento final”, e “já está a ser partilhado e disseminado pelo território nacional”.

CB/PR

A próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude vai decorrer em Seul, na capital sul-coreana, entre os dias 3 e 8 de agosto de 2027, sob o tema ‘Tende Coragem, Eu venci o mundo’.

“Eu convido a que os jovens não desistam de sonhar a possibilidade de participar na jornada de Seul”, disse o cardeal D. Américo Aguiar, que foi o primeiro português a inscrever-se na JMJ Seul 2027 em Portugal, quando o DNPJ abriu as inscrições nacionais.

O diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, explica que estão “muito próximos dos 200 participantes”, e que “há uma mobilização, está a sentir-se que o convite do Papa Francisco no Parque Tejo chegou ao coração de cada jovem português”.

“Querem despedir-se desta jornada que foi em Portugal, belíssima jornada de Portugal em Seul, e estamos com muitas expetativas, muitos peregrinos para estar nesta viagem e nesta peregrinação essencialmente para com jovens de todo o mundo partilharmos esta fé juntos”, acrescentou Pedro Carvalho.

O novo presidente da Comissão Episcopal Laicado, Família e Vida, da CEP, “ouvia muito no Panamá, quando era para convidá-los para virem a Portugal, que era um problema de ‘plata’”, que se mantém nos jovens, porque “é um investimento significativo”, mas, normalmente, “os jovens quando querem atingir um objetivo, fazem mil e uma coisas e conseguem atingir o objetivo”.

“Nós estamos a trabalhar para que seja possível uma paragem em Macau, para revisitarmos a presença portuguesa nessa zona do mundo. Eu penso que pode ser um aperitivo muito importante e muito interessante para os jovens, mas não deixa de ser um desafio económico e financeiro”, adiantou.

Neste sentido, D. Américo Aguiar pediu ainda aos jovens, às comunidades e aos movimentos que “tenham uma faceta solidária”, e que seja possível que “um jovem possa ser ajudado pela comunidade” para que, juntamente com o seu próprio esforço, “a comunidade possa proporcionar o que for necessário para ele participar na jornada de Seul”.

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