D. Américo Aguiar homenageou as vítimas de há 40 anos que «assumiram até ao fim o compromisso de proteger a vida e os bens dos outros»

Setúbal, 14 jun 2026 (Ecclesia) – O cardeal D. Américo Aguiar assinalou 40 anos da Tragédia da Serra de Águeda para homenagear os bombeiros que morreram e apelar à “formação, segurança e dignidade” de quem está “na primeira linha do socorro e da proteção civil”.
“A história dos bombeiros portugueses é feita de gestos silenciosos de entrega, muitas vezes desconhecidos do grande público. A tragédia de Águeda recorda-nos o preço que, por vezes, é pago por aqueles que escolhem estar na primeira linha do socorro e da proteção civil. Por isso, a melhor homenagem que lhes podemos prestar é cuidar dos bombeiros de hoje, investir na sua formação, segurança e dignidade, e cultivar na sociedade o reconhecimento pelo seu serviço”, afirma.
Numa mensagem enquanto capelão nacional da Liga dos Bombeiros Portugueses enviada hoje à Agência ECCLESIA, D. Américo Aguiar afirma que os 40 anos que passaram de uma “noite dolorosa”, de 13 para 14 de junho, “não apagaram a memória, nem diminuíram a gratidão, nem silenciaram o eco dos nomes daqueles que, no cumprimento da sua missão e no serviço aos outros, entregaram a própria vida”.
Na madrugada de 14 de junho de 1986, 13 bombeiros, quatro da corporação de Anadia e nove de Águeda, e três civis morreram no combate a um incêndio florestal.
À data, eu era apenas um jovem adolescente. Recordo-me, contudo, do impacto que aquela tragédia teve no país e da comoção que atravessou tantas famílias e comunidades. A Serra de Águeda tornou-se então símbolo da coragem dos bombeiros portugueses, mas também da fragilidade da condição humana perante a força devastadora da natureza”.
O capelão nacional da Liga dos Bombeiros Portugueses, para além de recordar uma tragédia, prestou homenagem “a homens concretos, com rostos, histórias, sonhos e famílias, que assumiram até ao fim o compromisso de proteger a vida e os bens dos outros”.
Muitos destes homens partiram sem procurar reconhecimento, movidos apenas pelo sentido do dever, pela solidariedade e pela dedicação ao próximo. Por isso, a sua memória permanece viva e fecunda”.
“A dor da perda nunca desaparece totalmente, mas a memória agradecida transforma-se em esperança e inspiração para as novas gerações”, afirmou D. Américo Aguiar, dirigindo-se às famílias das vítimas, aos Bombeiros Voluntários de Anadia e de Águeda, às corporações de todo o país e a todos quantos continuam a servir nas fileiras dos bombeiros portugueses.
“Que a memória destes 16 homens permaneça viva no coração de Portugal. E que o seu exemplo continue a inspirar-nos a construir uma sociedade mais solidária, mais fraterna e mais atenta ao valor incomparável da vida humana”, concluiu.
PR
