Leão XIV salienta que podem ser «construtores de paz, testemunhas da ternura do Bom Pastor», num tempo de «divisões e medos»

Cidade do Vaticano, 12 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa afirma que o mundo precisa “de pastores que não ofereçam apenas palavras ou programas” numa mensagem para Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, que a Igreja celebra hoje, na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.
“Num tempo marcado por divisões e medos, podemos ser construtores de paz, testemunhas da ternura do Bom Pastor, que sabe reunir os dispersos e cuidar dos feridos, e o nosso zelo não é agitação, mas o transbordar dum amor que «é êxtase, é saída, é dom, é encontro»”, escreve Leão XIV, citando a encíclica ‘Dilexit nos’, do Papa Francisco, na mensagem enviada à Agência ECCLESIA.
Neste Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes 2026, que a Igreja Católica celebra na Solenidade litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, este ano a 12 de junho, o Papa afirma que “uma vida sacerdotal firme e configurada com o Coração de Jesus é sinal credível de unidade, paz e misericórdia”.
“O mundo tem uma grande necessidade de pastores que não ofereçam apenas palavras ou programas, mas o testemunho vivo dum coração reconciliado, espalhando o bom perfume da santidade de Cristo.”
Segundo Leão XIV, a união do coração dos sacerdotes “com o Coração de Cristo não é uma experiência reservada a alguns poucos eleitos”, mas um caminho sacramental, eucarístico, que se concretiza no dia-a-dia, por isso, aos seus irmãos no sacerdócio lembra que na ordenação foram “configurados a Cristo, mas é preciso sempre reavivar” esse dom da graça: “celebração diária da Eucaristia, da oração, da meditação da Palavra de Deus e do serviço humilde aos irmãos e irmãs”.
“Não existem compartimentos separados na nossa humanidade. A oração, o ministério, as relações, o cansaço, as alegrias e os fracassos, até mesmo o tempo aparentemente perdido ou o amor que parece desperdiçado, tudo se torna um lugar privilegiado para a revelação de Deus e do seu amor infinito”, indica.
O Papa, neste dia em que a Igreja “contempla o Coração trespassado do seu Senhor”, do qual brota “uma fonte inesgotável” de paz e unidade para todo o género humano, começa por lembrar “as palavras que Deus disse ao povo de Israel”: «Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo» (Lv 19, 2; cf. 1 Pt 1, 16).
“Este chamamento divino percorre os séculos, ressoando também hoje com força para todos os crentes e, de forma particularmente exigente, para nós, sacerdotes. A santidade não é uma opção entre tantas outras, nem um ideal abstrato: ela interpela a própria identidade de toda pessoa que deseja participar na vida do Ressuscitado”, desenvolveu.
Leão XIV explica que “a santidade é participação no mistério de Cristo”, e é precisamente ai que surge “o grande paradoxo da vida sacerdotal”, são chamados a participar na “própria santidade de Deus”, um tesouro que levam “em vasos de barro”, porque são “limitados e imperfeitos, muitas vezes marcados por fraquezas e cansaços e, não raro, por feridas”.

O Papa, que convida os sacerdotes a renovar “todos os dias” o seu ‘eis-me aqui’ “perante o Coração trespassado de Cristo”, assinala que a resposta à vocação para serem santos “não está tanto no esforço de ascetismo e perfeição”, que é necessário, mas “na adesão confiante ao amor revelado” nesse “coração trespassado” de Jesus.
“O Sagrado Coração de Jesus é o ícone por excelência do amor de Deus: um amor todo-poderoso precisamente porque capaz de se fazer vulnerável, de transformar a dor em graça e o sofrimento em esperança. A santidade do sacerdote pode, assim, manifestar-se na proximidade humilde e corajosa, no ser de todos e para todos, mantendo aberta a porta do redil para que muitos possam entrar e encontrar pastagem e descanso”, acrescentou Leão XIV, que também convida os padres a zelar “pela fraternidade presbiteral”.
A Comissão Episcopal Vocações e Ministérios (CEVM), da Igreja Católica em Portugal, também convidou a rezar pelos sacerdotes, “mas especialmente pela sua humanidade”, nesta Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, na Nota Pastoral ‘Sacerdotes de Humanidade’.
A Solenidade do Sagrado Coração de Jesus foi inserida no calendário litúrgico da Igreja Católica, em 1856, por decisão do Papa Pio IX, na sexta-feira da semana seguinte à Solenidade do Corpo de Deus; em 1995, o Papa São João Paulo II instituiu o Dia Mundial de Oração pela Santificação do Clero, associada a esta solenidade.
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