«Parece ter-se perdido o sentido da dignidade sagrada do ser humano» – Leão XIV

Barcelona, Espanha, 10 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa denunciou hoje, em Barcelona, o abandono dos idosos e a indiferença perante o sofrimento alheio, numa visita a uma zona da cidade marcada pela pobreza e a exclusão social.
“É isso que Jesus quer que façamos: cuidar e acompanhar os nossos avós na sua velhice, tal como eles, um dia, cuidaram de nós. Não permitamos que a solidão e o abandono se normalizem na vida dos idosos. Isso é muito triste.”, exigiu Leão XIV num encontro com instituições de solidariedade, no bairro do Raval.
Esta é ainda uma zona caracterizada pela forte imigração oriunda da América Latina, das Filipinas e do Paquistão.
“Sede testemunhas credíveis da esperança cristã no serviço solícito aos irmãos e irmãs que, numa condição de vida precária, marcada pela privação, pela fragilidade ou pela marginalização, além de ajuda material e apoio moral, precisam de Deus”, pediu o pontífice aos participantes do encontro desta tarde.
A igreja de Santo Agostinho, conhecida como a “catedral dos pobres”, fica no casco antigo da cidade de Barcelona e funciona como um polo de apoio imediato a cidadãos estrangeiros e pessoas em situação de sem-abrigo.
A intervenção papal denunciou a indiferença face às pessoas em situação de extrema vulnerabilidade.
“Parece ter-se perdido o sentido da dignidade sagrada do ser humano”, lamentou o Papa.
O encontro contou com o testemunho da irmã Encarnación Jordán, porta-voz da Fundação Amaranta, que alertou para o tráfico de mulheres.
“Ao longo deste percurso, aprendi, ao lado delas, o que significa acompanhar, ou seja, apoiar sem abandonar”, assinalou a religiosa, elogiando as “mulheres capazes de celebrar a vida, mostrando que o mal não tem a última palavra”.




Já a secretária-geral da Cáritas Diocesana, Cristina García, apontou o dedo às “estruturas que geram pobreza e exclusão”, num território marcado pela habitação precária e pelo trabalho informal.
Xavier, responsável pela associação Obinso, alertou para o “sofrimento psíquico” provocado pelas dependências que atiram diariamente vários cidadãos para a marginalidade.
Leão XIV encorajou os voluntários presentes a curarem as feridas sociais através de uma atitude persistente de perdão.
“Perdoar significa não deixar que o ódio se torne o dono do nosso coração. Jesus pede-nos que perdoemos porque é a única maneira de experimentar a paz de Deus e de curar feridas espirituais”, explicou.
Durante o encontro foi lida uma carta do pequeno Renzo, de seis anos, a Leão XIV, que lhe perguntava se sempre quis ser Papa.
“Não queria ser Papa, nem como jovem nem como velho, mas quando o Senhor chama, é preciso dizer sim”, respondeu o pontífice.
O Papa recordou que a primeira vez que passou pela igreja de Santo Agostinho, em 1984, a encontrou fechada, mas que hoje as pessoas encontram “comunidade, acolhimento”.
“Muito obrigado a todos”, afirmou.
OC
