Dirigentes refletiram sobre a «importância vital» dos cidadãos na construção de «uma sociedade mais justa, mais fraterna e solidária»

Lisboa, 08 jun 2026 (Ecclesia) – A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) realizou um Seminário Internacional, que partiu da realidade concreta dos efeitos da tempestade Kristin na região de Leiria, de 4 a 7 de junho, no Seminário Diocesano de Leiria.
“O seminário partiu de uma realidade concreta: a região de Leiria foi devastada em janeiro pela tempestade Kristin. A extraordinária onda solidária que se seguiu demonstrou que a cidadania ativa é indispensável para responder a desafios como as alterações climáticas, as guerras, a pobreza e a desinformação”, explica o comunicado final da coordenação nacional da LOC/MTC, enviado à Agência ECCLESIA.
No seminário internacional, os dirigentes de organizações de trabalhadores concluíram que “a cidadania ativa não nasce sozinha”, mas precisa de segurança social, educação, espaços democráticos e organizações que “sirvam de ponte”, e observam que um trabalhador que conhece “plenamente os seus direitos e deveres”, a função de um sindicato, e o valor da ação coletiva “estará mais capacitado para uma cidadania ativa”.

‘Desenvolver novas capacidades e novas respostas das organizações de trabalhadores, por mais cidadania ativa na Europa’, foi o tema deste Seminário Internacional da LOC/MTC, realizado no Seminário Diocesano de Leiria; a mesa de abertura contou com a coordenadora nacional, Fátima Pinto, o assistente nacional, o padre Pedro Lima, a vice-presidente do EZA, Maria Reina, um representante do Município de Leiria, Luís Lopes, e foi presidida pelo bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas.
Os cerca de 40 dirigentes de organizações de trabalhadores, com a ajuda de especialistas, trabalharam sobre a importância vital da participação dos cidadãos na construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e solidária, durante dois dias.
Segundo os participantes, após analisarem a situação em vários países europeus, “cresce a proporção de pessoas ameaçada pela pobreza ou exclusão social”, com particular incidência em famílias monoparentais, desempregados e imigrantes, e alertam que “a pobreza não é apenas carência material – limita a participação cívica”, quem é socialmente desfavorecido tendencialmente vota menos, envolve-se menos e confia “menos nas instituições”.
“As organizações de trabalhadores, em particular a LOC/MTC, continuarão a ser uma escola de democracia participativa, um lugar de esperança e uma voz profética na defesa da dignidade do trabalho”, assinalam.
É importante “ouvir o sofrimento” das pessoas concretas, “não apenas diagnósticos abstratos”, e combater o desânimo e o “sentimento de impotência”, por isso, organizar a esperança significa acreditar que são “semente de algo novo no meio de um mundo velho”.
O comunicado final salienta que o poder das organizações de trabalhadores “não se esgota no poder estrutural ou associativo”, precisam também de “poder institucional e de influência”, para, por exemplo, “mobilizar para o voto e para o combate à extrema-direita”, estar “presente ativamente” nas redes sociais e nos meios de comunicação, falar ao “coração” da sociedade, combater o individualismo e a desinformação, oferecer “uma mensagem de esperança e libertação no mundo do trabalho”.
A primeira encíclica de Leão XIV, ‘Humanidade Magnífica’, lançada a 25 de maio, também foi destacada neste encontro internacional, lembraram alguns desafios do Papa sobre inteligência artificial e transformação digital.
Este Seminário Internacional, financiado pela União Europeia, com a colaboração do EZA,reuniu membros da LOC/MTC de várias dioceses de Portugal, e de outras organizações nacionais e internacionais, nomeadamente: KAB da Alemanha; ACO e HOAC de Espanha; CFTL – Centro de Formação e Tempos Livres e BASE-FUT; JOC – Juventude Operária Católica; FIDESTRA, CESMINHO, do EZA e do MTCE – Movimento Europeu de Trabalhadores Cristãos.
CB/OC
