Espanha: Vaticano fala em «peregrinação ao coração dos desafios da Europa»

Diretor editorial sublinha problemáticas políticas, eclesiais e migratórias enfrentadas pelo país

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 06 jun 2026 (Ecclesia) – O diretor editorial do Vaticano afirmou que a viagem do Papa a Espanha, que se inicia hoje, constitui uma aproximação às principais problemáticas políticas, eclesiais e migratórias enfrentadas pela Europa.

“A viagem de sete dias que o Papa Leão XIV se dispõe a realizar por Espanha é uma peregrinação ao coração dos desafios da Europa”, sublinhou Andrea Tornielli, num texto publicado pelos media do Vaticano.

A análise perspetiva o encontro com o Parlamento em Madrid como uma oportunidade para delinear um compromisso social voltado para o bem comum.

“Longe do colateralismo, porque a Igreja, para ser ela mesma e anunciar o Evangelho, não pode e não deve apoiar-se no poder”, sustentou o jornalista a respeito das polarizações contemporâneas.

A etapa em Barcelona é descrita como uma oportunidade para responder ao avanço do secularismo através do património artístico e da edificação espiritual.

“A Sagrada Família, fruto da fé e do gênio de um arquiteto catalão falecido há cem anos e hoje a caminho dos altares, é um exemplo poderoso dessa linguagem da beleza”, precisou o responsável da Santa Sé.

O itinerário pelas Ilhas Canárias foca-se na dimensão humanitária ao confrontar a comunidade internacional com o drama das migrações na rota atlântica.

“A etapa nas Canárias entra na carne viva dos sofrimentos dos últimos com um chamado ao testemunho evangélico dos cristãos”, vincou o autor.

A deslocação de Leão XIV decorre entre 6 e 12 de junho e prevê um percurso de 2500 quilómetros pelas cidades de Madrid, Barcelona, Las Palmas de Gran Canária e Santa Cruz de Tenerife.

A agenda pontifícia engloba um total de doze discursos, cinco saudações institucionais e cinco homilias.

A defesa da vida vulnerável e a reflexão sobre o progresso tecnológico constituem outras prioridades dos encontros previstos.

roteiro arranca esta manhã, na capital espanhola, com reuniões oficiais dirigidas aos Reis de Espanha, às autoridades civis e ao corpo diplomático.

O Papa reúne-se na segunda-feira com o primeiro-ministro espanhol e com os deputados do Parlamento nacional.

A dimensão pastoral inclui, no primeiro dia, uma paragem no projeto ‘Cedia 24 Horas’ para dialogar com cidadãos em situação de sem-abrigo.

O arcebispo de Madrid, cardeal José Cobo Cano, considerou que esta aproximação à estrutura da Cáritas significa que o pontífice entra no país através das “periferias” humanas.

A Eucaristia de domingo na Praça de Cibeles assinala a solenidade do Corpo de Deus, com uma procissão pelas ruas da capital espanhola.

A etapa na Catalunha, a partir de 9 de junho, contempla a inauguração da torre de Jesus Cristo na Basílica da Sagrada Família, assinalando o centenário da morte do arquiteto Antoni Gaudí.

A nova estrutura dodecagonal atinge 172,5 metros de altura no centro do templo.

A passagem por Barcelona integra também uma visita ao estabelecimento prisional de Brians 1 e a recitação do terço na Abadia de Montserrat.

Leão XIV dedica os últimos dois dias da viagem à emergência migratória na rota atlântica, escutando as populações acolhidas nas Ilhas Canárias, a 11 e 12 de junho.

O programa inclui deslocações ao porto de Arguineguín e ao centro de abrigo de Las Raíces para conhecer de perto o esforço de integração do arquipélago.

A intervenção principal em Las Raíces será proferida em francês para facilitar a comunicação com os estrangeiros oriundos do continente africano.

Esta é a primeira visita de um pontífice ao território espanhol desde a JMJ 2011, em Madrid, presidida por Bento XIV, que esteve ainda em Valência (2006), Santiago de Compostela e Barcelona (2010).

São João Paulo II esteve cinco vezes na Espanha.

OC

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