Igreja/Sociedade: Arcebispo de Évora incentivou à «comunhão» na Festa da Diocese

D. Francisco Senra Coelho alertou para a solidão, porque a «comunicação não leva o encontro da humanidade que cada um é»

Foto: Arquidiocese de Évora

Vila Viçosa, 31 mai 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora destacou a importância das famílias na Igreja e na sociedade, e alertou para falta “de comunicação, de comunhão”, na Missa de encerramento da Festa da Diocese realizada, este sábado, dia 30, em Vila Viçosa.

“Que fome, que sede, temos de comunicação, de comunhão, como é dura a solidão dos idosos, dos presidiários, dos migrantes. Nunca talvez como hoje se vivesse tanto a solidão, estamos ligados uns aos outros de modo digital, podemos comunicar-nos a distâncias de todo o planeta”, disse D. Francisco Senra Coelho, na homilia da Eucaristia da Festa da Diocese de Évora.

“Talvez, nunca como hoje, o nosso coração estivesse tão só, porque a nossa comunicação não leva o encontro da humanidade que cada um de nós é”, acrescentou, este sábado, no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa.

O arcebispo de Évora explicou que “a amizade, a lealdade, o sentido profundo da dádiva”, mas também o reconhecimento e a gratidão, “o outro com o outros que é o idoso, o jovem a brotar para a vida, não acontece”, por isso vive-se um tempo fortemente marcado pelas consequências da solidão, “de caracter mental, afetivo”, entre outras.

D. Francisco Senra Coelho afirmou que a Igreja Católica “é no mundo sinal, e é convidada a ser este sinal, de comunhão”, após lembrar a campanha de recolha de bens para o Banco Alimentar Contra a Fome, que está a decorrer este sábado e domingo (03 e 31 de maio), o Dia dos Irmãos, que se celebra hoje, e o Dia Mundial das Crianças, comemorado esta segunda-feira, 1 de junho.

A homilia centrou-se também na celebração da solenidade litúrgica da Santíssima Trindade, dogma central da fé cristã, o arcebispo de Évora salientou que “é Deus, é o mistério de Deus”.

“Muitas vezes, de muitos modos, o homem procurou Deus, procura Deus, e foi-o descrevendo muitas vezes na reflexão daquilo que ele como homem, como ser humano é, na sua vingança, no seu calculismo, na sua chantagem, na sua dimensão de cobrar, exigir, castigar, e foram aparecendo imagens antropomorfizadas de Deus. Por isso, muitas vezes, Deus surgiu como medo, perigo, como ameaça ao homem e concorrência ao homem”, desenvolveu, na celebração transmitida online.

O responsável diocesano, que se revelou “também ateu” para esse Deus, acrescentou, a partir das leituras, que “o Senhor perante este movimento humano de busca de sentido, unidade, de foco único” escolheu o povo de Israel para se revelar, e eles têm “a missão de mostrar aos povos o rosto” desse Deus verdadeiro, que “amou tanto o mundo, que enviou o filho ao mundo para que seja salvo por ele”, para salvar “tudo aquilo em não é humanidade” nas pessoas.

Os casais que celebraram 25, 50, 60 ou mais anos de matrimónio também estiveram em destaque, D. Francisco Senra Coelho começou por olhar “com imensa amizade” para estes casais jubilares.

“O sacramento do matrimónio que celebraste mostra o amor de Deus pela humanidade, e de Cristo pela sua Igreja. Vós sois ícones do amor que tendes um pelo outro, de como a Igreja é amada por Jesus, e como deve ser família, uma família de famílias, e como deve ser fermento de família pelo mundo”, assinalou.

Neste sentido, indicou que a missão que têm na diocese é serem “presença de Deus família no mundo”, e ajudar “o mundo a reconciliar-se, a reencontrar-se, a fazer pontes”, e a concretizar a “fome de unidade” que se celebra no dia da criança, no dia mundial irmãos, na recolha de alimentos.

“Famílias, sois o estímulo, a referência, sois para nós o modo como Cristo nos ama, e como havemos de amar o mundo, e ser sinal para o mundo; vós família sois evangelização, berço da vida: berço natural da vida, e berço da fé, e jamais alguém substituirá o berço natural da vida, e muito dificilmente se recompõe quando não é berço da fé”, acrescentou.

A Festa da Diocese de Évora foi um dia encontro dedicado à fé, à comunhão e à alegria, que reuniu famílias, jovens, movimentos, paróquias, congregações e comunidades, com um programa que conjugou duas dimensões fundamentais, a espiritual e a festiva.

“Todos somos um, e fizemos em conjunto este dia”, disse D. Francisco, no início da homilia, quando agradeceu a todos que participaram na organização desta celebração.

O programa da Festa da Diocese eborense começou com uma peregrinação a pé, a partir de Borba e Bencatel, para o local central das celebrações; na igreja dos Agostinhos realizou-se o acolhimento e animação inicial, e todos seguiram em procissão, acompanhando a Imagem Peregrina de Nossa Senhora da Conceição, até ao Santuário Nacional de Vila Viçosa.

Foto: Arquidiocese de Évora

Após a Eucaristia da Festa da Diocese, o Santuário Nacional da Padroeira de Portugal uniu-se à oração do Rosário pela paz, que o Papa Leão XIV presidiu, este sábado, no Vaticano.

CB/OC

Partilhar:
Scroll to Top