Sé acolhe a coroação das Sanjoaninas 2026, o encerramento da festa do padroeiro de Angra do Heroísmo

Angra do Heroísmo, Açores, 24 jun 2026 (Ecclesia) – A investigadora Susana Goulart Costa, responsável pelo projeto de estudo da história religiosa dos Açores, explicou a importância de João Batista na história, a sua ligação a Jesus, destacou tradições e quadras, e valores atuais da “verdade, transparência, lealdade”.
“A principal virtude, na minha opinião e a mais importante, é a ligação à verdade e à verticalidade, à defesa dos ideais cristãos, e justifica a minha escolha ao momento da sua morte, por decapitação”, destacou a historiadora, citada pelo portal online ‘Igreja Açores’ da Diocese de Angra.
Susana Goulart Costa recorda que São João Batista, de quem a Igreja Católica celebra a solenidade litúrgica do seu nascimento neste dia 24 de junho, morreu por defender a verdade, “a sacralização do casamento”, denunciou a “desonestidade das ligações bígamas”, da mentira, da falsidade, do engano”, porque Herodes Antipas, que o mandou prender e matar, estava a enganar o seu irmão com a mulher, que enganava o marido.
“Eu penso que o melhor e a mais preciosa herança de valores é esta defesa pela verdade, por aquilo que está correto, mesmo que leve à morte. Valores da verdade, da transparência, da lealdade”, acrescentou, sobre “o precursor, aquele que anuncia a vinda do Messias”.
A historiadora açoriana explica que, atualmente, têm práticas que talvez não façam “uma ligação direta à questão espiritual, mas ela existe no seu coração”, como as fogueiras, “o saltar à fogueira tinha esta histórica de purificação”, e, depois, “tudo acaba por ter uma componente popular”.
Para a investigadora, professora universitária, aquilo que lhe parece que “é o mais importante é a profunda devoção aos santos de verão, aos santos populares”, que são uma tríade – Santo António, São João e São Pedro – “bastante importante, porque anunciam este novo ciclo do ano”.
Angra do Heroísmo e Vila Franca do Campo encheram-se de festa para as tradicionais fogueiras e marchas de Sanjoaninas, na noite passada, de 23 para 24 de junho, 49 marchas saíram na cidade de Angra e 16 em Vila Franca do Campo, os dois locais onde São João é assinalado de forma mais efusiva na Diocese de Angra.
Susana Goulart Costa recordou a tradição popular de na manhã deste dia de São João, na ilha terceira, ser “obrigatório ir tomar banho ao mar”, pessoas e animais para “afastar os mais espíritos, afastar das doenças”, e destacou que existem “milhares de quadras populares que denotam a ligação das lendas de São João”.
A responsável pelo Projeto DIO 500, de estudo da história religiosa dos Açores até 2034, salientou também o “papel muito importante” de São João Batista “nos casamentos”, como as antigas tradições açorianas ligadas às “sortes de São João” que incluíam rituais realizados por jovens solteiras que queriam saber o nome do futuro marido, ou os anos que faltavam para o matrimónio.
Sobre o papel de São João Batista na história da salvação, a historiadora destaca a “lucidez” deste santo “sobre o seu papel ao mesmo tempo fundamental, mas secundário, quem devia brilhar era Jesus”, para além de preparar a “vinda do messias, de ter sido quem batizou Jesus”.
“Na palavra lapidar do Evangelho, no capítulo 3 de São João Evangelista, quando diz ‘é necessário que ele cresça e eu diminua’, tem papel de grande humildade, de consciência muito importante”, acrescentou Susana Goulart Costa, representante da República para a Região Autónoma dos Açores.
Em Angra do Heroísmo as festas dedicadas a São João Batista, padroeiro da cidade, continuam até domingo, dia 28 de junho, com a tradicional Coroação das Sanjoaninas, que se alia à devoção ao Divino Espírito Santo, é um dos momentos de ligação da Igreja Católica a estes festejos populares, às 11h00 locais (mais uma hora em Lisboa), na igreja da Sé, informa a página na internet ‘Igreja Açores’ da Diocese de Angra.
| O Papa Leão XIV assinalou hoje a solenidade litúrgica do nascimento de São João Batista, durante a audiência pública semanal e convidou os presentes a redescobrirem a sua “vocação batismal”.
“Acolhemos com alegria o seu convite à conversão a Cristo, que ele reconheceu como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Seguindo o seu exemplo, preparemos também os caminhos do Senhor para que o mundo acredite em Cristo Redentor”, referiu na Praça de São Pedro. |
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