Lisboa: Patriarca destacou «grandeza da missão» das famílias, e alertou para «medo do compromisso»

D. Rui Valério elogiou casais jubilares que são «uma verdadeira profecia», num tempo e mundo que, «muitas vezes, não acredita na permanência do amor»

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Caldas da Rainha, 30 mai 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa afirmou hoje que celebrar a Festa diocesana da Família “é proclamar diante do mundo uma esperança”, após alertar para o “medo do compromisso”, na Eucaristia, no Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha.

“Queridas famílias: nunca duvideis da grandeza da vossa missão. Talvez o mundo nem sempre vos compreenda. Talvez muitas vezes vos sintais cansadas, frágeis, pressionadas pelas dificuldades da vida. Mas a Igreja olha para vós com esperança”, disse D. Rui Valério na homilia da Festa da Família, enviada à Agência ECCLESIA.

O patriarca de Lisboa indicou que é na família que “o ser humano aprende a amar e a ser amado”, aprende o perdão, a paciência, a partilha, “o cuidado pelos mais frágeis”, e que viver “não é fechar-se sobre si mesmo, mas fazer da vida um dom”.

“Celebrar hoje a Festa da Família é muito mais do que promover um encontro bonito ou uma jornada festiva. É proclamar diante do mundo uma esperança. É afirmar que ainda vale a pena amar para sempre. Que ainda vale a pena construir uma vida comum. Que ainda vale a pena acreditar na beleza do matrimónio, na fecundidade da família, na santidade da vida quotidiana partilhada.”

O Patriarcado de Lisboa celebra a Festa da Família, com o tema ‘Família Ser(em) missão’ comemora “a alegria do encontro e da fé”, este sábado, 30 de maio, no Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha.

Na homilia, D. Rui Valério, a partir do Evangelho – «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3, 16) -, explicou que este é “também o coração da família”, que nasce quando “alguém aceita sair de si mesmo para viver para outro”, quando aceita transformar o «eu» em «nós».

Segundo o patriarca de Lisboa, “precisamente aqui” encontram “uma das grandes feridas da sociedade contemporânea, que vive uma profunda crise da vocação familiar, que não é apenas uma crise sociológica ou estatística, mas é “uma crise espiritual e antropológica”, e os números na diocese “falam de forma impressionante: No ano 2000 celebraram-se 7633 matrimónios, em 2025 celebraram-se 2092.

“Não absolutizamos estatísticas. Mas elas revelam um sintoma profundo: cresce o medo do compromisso, o receio da entrega definitiva, a dificuldade em assumir a doação da vida como caminho de felicidade”, comentou.

“Esta crise não nasce apenas de dificuldades económicas ou culturais. Nasce sobretudo de uma cultura marcada pelo provisório, pelo descartável, pela lógica do imediato. O homem contemporâneo aprende facilmente a consumir, mas dificilmente aprende a permanecer. Aprende a experimentar, mas teme entregar-se. Aprende a reivindicar direitos, mas hesita perante a responsabilidade do amor fiel.”

Na Festa da Família do Patriarcado de Lisboa celebrada “sob o olhar materno de Nossa Senhora de Fátima”, com a Imagem Peregrina, D. Rui Valério pediu “uma graça muito concreta” para a diocese, e seu povo: “que renasça a coragem da vocação familiar. Que renasça a alegria do matrimónio. Que renasça a esperança de construir lares onde Deus habite”.

O responsável diocesano também pediu que as famílias não sejam lugares de solidão, “mas escolas de comunhão”, que sejam espaços de confiança, e não estejam fechadas sobre si mesmas, “mas abertas à vida, à esperança e ao futuro”.

O patriarca de Lisboa começou a homilia a assinalar que se celebram a Solenidade da Santíssima Trindade, este domingo, e explicou que “a família nasce do coração da Trindade”, porque “Deus não é solidão”, mas “comunhão, relação”: “O Pai ama o Filho, o Filho vive voltado para o Pai, e o Espírito Santo é o vínculo eterno deste amor infinito”.

Os casais que celebram 10, 25, 50, 60 ou mais anos de matrimónio em 2026 puderam inscreveram-se para receber um diploma com a Bênção dos Casais Jubilares, e D. Rui Valério, na homilia, disse-lhes que “são uma verdadeira profecia” para este tempo e mundo que “muitas vezes não acredita na permanência do amor”.

Segundo o patriarca de Lisboa, o testemunho dos casais jubilares “vale mais do que muitos discursos”, e aos mais jovens incentivou-os a não terem “medo do amor definitivo, de formar família”, e de dar a vida.

CB

D. Rui Valério, na meditação da oração da manhã, destacou a alegria do encontro e a identidade profunda da família à luz da Trindade, junto à Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que percorreu em procissão a cidade das Caldas da Rainha, no palco principal da festa.

“Quero saudar-vos particularmente a vós, caras famílias, famílias que participais e testemunhais essa identidade profunda de Deus, que Deus é família, por isso é Pai, é Filho e é Espírito Santo”, salientou.

O patriarca de Lisboa desafiou todas as famílias da diocese a rezarem pela paz no mundo, unindo-se aos apelos “incessantes” do Papa Leão XIV

“E hoje nós queremo-nos associar a esse desejo e desígnio do Santo Padre, rezando e pedindo pela paz. Pela paz nos nossos corações, pela paz no mundo, mas particularmente pela paz nas famílias”, acrescentou.

A Festa Diocesana da Família, promovida pelo Setor da Pastoral Familiar de Lisboa, teve início na igreja de Nossa Senhora da Conceição, com uma meditação do patriarca de Lisboa, antes da procissão até ao Parque D. Carlos I, acompanhada pela oração do Terço.

“Esta extraordinária procissão que, com Maria, percorremos a cidade de Caldas da Rainha, foi já ela a realização daquilo que é o tema deste ano, família em missão”, referiu D. Rui Valério.

Ao longo do dia, entre momentos de oração, conferências e workshops, o programa ofereceu animação, uma feira familiar, espaços dedicados às crianças, um espaço de artesanato e uma área de alimentação com diversas opções de street food.

 

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