Igreja: Papa pede «coragem» para superar fixação em estatísticas e poder económico

Leão XIV recebeu bispos italianos, defendendo comunidades mais abertas e criativas

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 28 mai 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje à superação da fixação em estatísticas e “poder económico”, na avaliação da ação da Igreja, defende um “compromisso efetivo” dos católicos na sociedade, na política e na cultura.

“A lógica da pequenez é a verdadeira força da Igreja, que não reside nos seus recursos nem nas suas estruturas. Os frutos da sua missão não derivam do consenso numérico, do poder económico ou da relevância social”, apontou Leão XIV, ao receber em audiência os membros da Conferência Episcopal Italiana (CEI).

Numa intervenção divulgada pelo Vaticano, o pontífice defendeu maior proximidade com as populações, sublinhando que a ação pastoral deve evitar centrar-se apenas em “dados estatísticos” ou gera “lamentações” sobre as dificuldades no terreno.

A intervenção pediu uma transformação nas dinâmicas de funcionamento das paróquias, reclamando a “coragem do essencial” para travar o isolamento e a burocracia.

“A coragem das comunidades menos preocupadas em preservar tudo e mais livres para anunciar Cristo. A coragem de uma catequese que seja um caminho de iniciação e de formação contínua na vida cristã”, apontou.

O Papa apelou a paróquias “acolhedoras e missionárias” e a “organizações participativas e vibrantes”.

Leão XIV assumiu que a Igreja deve ter a “coragem de escutar os jovens sem apaziguar as suas perguntas” e de se deixar “evangelizar pelos pobres”.

A reflexão abordou ainda a necessidade de alterar os processos de decisão interna, advertindo que o envolvimento real dos leigos resulta de uma “exigência da comunhão e da missão”.

“O documento do Caminho Sinodal das Igrejas em Itália enfatiza o valor dos órgãos participativos como espaços onde o discernimento comunitário se pode concretizar. No entanto, não basta que estas ferramentas existam; é necessário verificar se realmente funcionam”, recordou o pontífice.

Leão XIV recomendou que os métodos de formação comunitária e o acompanhamento aos fiéis não se limitem a uma mera “eficiência administrativa”.

A fé transmite-se e cresce onde existem comunidades vibrantes e acolhedoras, capazes de rezar e ouvir; comunidades onde a Palavra de Deus não é marginalizada, mas ilumina as decisões; onde a Eucaristia é verdadeiramente a fonte e o ápice; onde os pobres não são recetores externos de serviços, mas irmãos e irmãs através dos quais o Senhor nos fala”, apontou.

O encontro no Vaticano marcou o encerramento dos trabalhos da 82.ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana, iniciada na segunda-feira.

OC

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