Organização católica garante único corredor humanitário para cidadãos oriundos dos territórios ocupados pela Rússia

Kiev, 26 mai 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Ucrânia está a prestar assistência humanitária aos cidadãos que fogem das zonas ocupadas pela Federação Russa e que são obrigados a regressar ao país através da passagem fronteiriça de Mokrany-Domanove.
O percurso de fuga para o território controlado pelo Governo de Kiev exige uma longa travessia pela Rússia e pela Bielorrússia, culminando no único corredor atualmente ativo na região da Volínia.
O vice-presidente da organização católica explica que a resposta solidária foi desenhada para intervir perante o desgaste extremo dos refugiados após milhares de quilómetros de viagem.
“O nosso trabalho surge das necessidades das pessoas e das condições em que chegam”, refere Hryhorii Seleshchuk, em declarações ao portal de noticias do Vaticano.
A instituição mobiliza meios de transporte para os cidadãos com mobilidade reduzida e para os idosos que não possuem recursos para concluir o trajeto de forma autónoma.
Os conselheiros da estrutura eclesial providenciam alojamento temporário e aconselhamento jurídico para quem perdeu a documentação de identificação durante o conflito.
O responsável sublinha a importância da intervenção ao nível da saúde mental para estabilizar o pânico de quem enfrentou exigentes e intimidatórias triagens militares.
“Muitas vezes as pessoas chegam num estado de grande ansiedade, desorientadas e confusas”, alerta o dirigente.
A rede de apoio católico conseguiu auxiliar mais de 200 mil pessoas durante o último ano, graças à articulação de uma equipa de apenas quatro elementos no local e à sinergia com outras associações.
Uma delegação composta por cerca de 30 embaixadas e representantes das Nações Unidas visitou a fronteira no passado dia 19 de maio para avaliar a situação no terreno.
A comitiva internacional, guiada pelo comissário ucraniano para os Direitos Humanos, procurou sinalizar a vulnerabilidade dos mais novos, um estrato demográfico que já conta com quase 400 menores acolhidos pela estrutura sociocaritativa.
A instituição está atualmente a desenvolver um programa de ação com a plataforma ‘Save Ukraine’ para facilitar a reinserção social e comunitária de quem viu a infância interrompida.
“Se quiserem continuar os seus estudos ou construir o seu futuro na Ucrânia, apoiamo-los nesta jornada”, refere Hryhorii Seleshchuk.
OC
