Açores: Homenagem à irmã Amélia Costa evoca os 90 anos da congregação no arquipélago, presente em todas as ilhas

Religiosa das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição foi condecorada com a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico

Foto Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, homenageados no Dia da Região Autónoma dos Açores

Ponta Delgada, Açores, 25 mai 2026 (Ecclesia) – A irmã Amélia Costa, da congregação das Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC), foi hoje condecorada na Sessão Solene do Dia dos Açores com a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico.

Natural da Horta, onde foi educada no Colégio de Santo António, a irmã Amélia Costa disse em declarações à RTP Açores que a distinção é partilhada com toda a congregação, nomeadamente as educadoras que a acompanharam na adolescência e juventude.

“Se hoje estou aqui, não me devo só a mim e à minha família. Devo à missão e ao testemunho profissional, claro, alegre, de simplicidade, que são os tais valores que estamos a perder hoje, das minhas educadoras, que foram as irmãs do Colégio de Santo António da Horta”, afirmou.

“Eu sinto aqui toda a minha congregação, que está nos cinco continentes, e que neste dia está aqui comigo, e a quem eu devo todo o percurso pessoal que fiz, todo o percurso de entrega da minha vida aos outros”.

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores homenageou hoje 25 personalidades que se distinguiram pelo seu contributo para o arquipélago, nomeadamente a irmã Amélia Costa e, a título póstumo, o padre Edmundo Manuel Pacheco

A Sessão Solene do Dia da Região Autónoma dos Açores decorreu, este ano, no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, onde decorreu também um concerto comemorativo, no dia anterior.

Questionada pela RTP Açores sobre a juventude da atualidade, com quem a irmã Amélia tem trabalhado ao longo de 50 anos, a religiosa manifestou a sua preocupação com uma geração que está “um pouco acomodada” e “um pouco amedrontada com o presente que estamos a viver e com o futuro que se pressente”.

“Eu, nestes 50 anos de dedicação aos jovens, aprendi muito com os jovens. Estou convencida que hoje todas as instituições, a Igreja, os educadores, a família, vão ter mesmo que prestar uma atenção especial aos jovens, porque eles estão a viver num tempo e numa cultura e numa sociedade que eles não fizeram, encontraram-na na feita por nós adultos”, afirmou.

Para a religiosa açoriana, é necessário manifestar “atenção, escuta empática” em relação aos jovens, sem estar “sempre a moralizar nem a falar um discurso que já não tenha a ver com esta geração”.

“Os jovens quase que nos obrigam a atualizarmos permanentemente para nos adaptarmos a uma nova linguagem, uma nova forma de ser, uma nova forma de estar, mas, sobretudo, estão muito carenciados de quem os ame, de um toque de afeto, de um olhar querido, que os valorize, que lhes dê protagonismo, mas efetivo, não apenas algumas coisinhas. O jovem hoje está à espera de alguma seriedade da nossa parte”, sublinhou.

Foto Agência ECCLESIA/HM, Irmã Amélia Costa

A irmã Maria Amélia Costa, natural do Faial, ingressou na vida religiosa após o contacto com a espiritualidade franciscana e desenvolveu um vasto trabalho pastoral junto da juventude, na evangelização, na música, onde conta com mais de 15 álbuns editados, integra o projeto ‘Mendigo de Deus’, onde se destacam os ‘Concertos Orantes’.

Com 79 anos de idade, tem-se dedicado também ao acompanhamento espiritual, nomeadamente no Centro de Escuta Lúcia de Jesus, do Santuário de Fátima, onde colabora atualmente.

Foto: Igreja Açores (arquivo)

O padre Edmundo Manuel Pacheco, que faleceu aos 89 anos de idade, a 8 de novembro de 2015, deixou “uma marca profunda na comunidade micaelense”, é reconhecido pela “proximidade às pessoas, cultura e dedicação à comunidade”, foi professor, jornalista, e dinamizador cívico, sócio fundador do Lions Clube da Ribeira Grande.

O sacerdote açoriano nasceu a 28 de outubro de 1925, na freguesia da Conceição, Ribeira Grande, foi ordenado presbítero a 13 de junho de 1948, na Sé de Angra, e desempenhou várias funções eclesiásticas, como vigário cooperador da Conceição e da Matriz da Ribeira Grande, capelão do Hospital de São Miguel e do Centro de Saúde da Ribeira Grande, secretário pessoal de D. José Pedro da Silva, bispo Auxiliar de Lisboa.

CB/PR

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