Igreja/Evangelização: Novo livro defende mudança nos modelos de transmissão da fé

Diácono António Raimundo assina a obra «Mistagogia em tempos de secularização»

Fátima, 23 mai 2026 (Ecclesia) – O Secretariado Nacional de Liturgia publicou a obra ‘Mistagogia em tempos de secularização’, que defende a adoção de um novo modelo de transmissão da fé.

“A mistagogia, enquanto introdução progressiva e existencial no mistério cristão, oferece uma resposta pastoral profunda e eficaz, capaz de renovar a vida sacramental, promover o discipulado e tornar a proposta cristã mais acessível e significativa para o Homem contemporâneo”, assinala o diácono António Raimundo, autor da obra.

O investigador sustenta que o atual distanciamento religioso obriga as comunidades católicas a desenhar uma “resposta pastoral profunda” capaz de contornar a fragmentação das vivências.

O ensaio sublinha que a urgência de comunicar a mensagem cristã pressupõe uma análise lúcida da atualidade, reclamando que as instituições mantenham “olhos e coração abertos” perante a realidade.

“A nova etapa evangelizadora que a Igreja é chamada a habitar exige olhos e coração abertos sobre o atual contexto social e cultural, para que o Evangelho de Jesus Cristo se torne relevante e decisivo na vida dos homens e mulheres de hoje”, alertou o padre Sérgio Leal, num texto que acompanha o volume.

O livro integra a coleção ‘Hodie’ (Hoje) e constitui o resultado de uma dissertação académica apresentada na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.

A investigação recupera o modelo de iniciação praticado no século IV por figuras históricas como Ambrósio de Milão, Cirilo de Jerusalém e Agostinho de Hipona.

O texto procura demonstrar a validade contemporânea destes métodos na transformação das paróquias, afastando a tentação de reduzir as práticas a uma mera moda teórica.

O volume conta ainda com um prefácio assinado pelo padre Joaquim Félix de Carvalho.

“A mistagogia não é uma panaceia. Produzida, porém, como forma de teologia de acentuado pendor poético, poderá acentuar o fascínio pelo mistério da salvação, na sua celebração como evento tornado irresistível”, refere o teólogo e docente da UCP.

OC

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