«Nós queremos que os jovens sejam os grandes protagonistas deste tempo», afirmou Pedro Carvalho

Porto, 02 mai 2026 (Ecclesia) – O diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), disse que o encontro ‘Porto de Partida’ quer ser “um momento de partilha” do quadro de referência que apresenta “a ideia de Pastoral Juvenil de futuro”.
“Não pretende ser um manual com regras, pretende ser uma visão para a Pastoral Juvenil em Portugal, para o futuro presente da Pastoral Juvenil”, disse Pedro Carvalho, em declarações à Agência ECCLESIA, este sábado, dia 2 de maio, na Alfândega do Porto.
O diretor do DNPJ explicou que “não é um projeto” deste departamento nacional da Igreja Católica em Portugal mas “um quadro de referência” onde dizem “aquilo que possa estar ao serviço da Igreja, um subsídio”.
“A partir daí, nas paróquias, nas dioceses, nos movimentos, nas congregações podem fazer o seu projeto de Pastoral Juvenil, e é essa a nossa ambição, uma ambição de futuro, em que todos bebemos do mesmo documento, o último era de 2002”, indicou.
Sobre a “ideia de Pastoral Juvenil de futuro”, que está presente no ‘Quadro de Referência’, o responsável nacional destacou alguns dos desafios do Processo ‘Escuta 360’, onde ouviram “milhares de jovens, e também muita gente”.
“Queremos uma Pastoral Juvenil sinodal, vocacional, também missionária. Queremos, neste momento, que adotemos um estilo de estar, de escuta, de acompanhamento de jovens, de refletir com eles os problemas, os desafios que eles têm, que são muitos, mas também queremos olhar para o futuro, olhar para os sonhos, olhar para eles serem protagonistas”, desenvolveu Pedro Carvalho.
“A partir de agora qualquer pessoa que queira trabalhar com os jovens, não é para eles, também há aqui esta diferença, que possa realizar o seu projeto de Pastoral Juvenil.”
‘Faz-te ao mar e lança as redes’ é o lema do encontro ‘Porto de Partida’, promovido pelo DNPJ, com “cerca de 200 jovens de todo o país”, na Alfândega do Porto, com destaque para o ‘Quadro de Referência para a Pastoral Juvenil’, aprovado pelos bispos da Conferência Episcopal Portuguesa na última Assembleia Plenária, em abril.
“Quisemos que este fosse um momento de partilha do trabalho que fomos realizando no ‘Processo Escuta 360’, e, queremos devolver este trabalho, este processo de escuta, a todos”, explicou o diretor do DNPJ.
Pedro Carvalho sublinhou a importância de “não ter medo de escutar” os jovens, e recordou que na ‘Escuta 360’ eles falaram “em coisas superinteressantes”, na intergeracionalidade, “a proximidade que querem com os párocos”, na escuta, no acompanhamento, “da relação com os bispos, e isso está neste ‘quadro de referência final’”.
O diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral da Juventude do Porto considera “extremamente importante” este ‘Quadro de Referência para a Pastoral Juvenil’, que leva a encontrarem-se “todos naquilo que é o objetivo da pastoral da juventude no país”, sabendo que são “realidades diferentes” em cada diocese, mas a fé é a mesma.
“Permitirá uma leitura mais atual daquilo que é a pastoral da juventude, sempre tão repentina, sempre tão urgente, mas também sempre assente em tantas mudanças. Por isso, este texto, este quadro de referência, é para nós uma maior valia, como diocese e como país, neste entendimento da pastoral da juventude”, disse o padre Jorge Nunes, à Agência ECCLESIA.
Questionado sobre o facto de os jovens afirmarem que o transcendente e que Deus é importante nas suas vidas, mas depois não estão na Igreja, o sacerdote da Diocese do Porto destaca “a importante preocupação de criar crianças, adolescentes e jovens com valores cristãos para estar juntos”.
“Acima de tudo, eu penso que estamos numa época em que os jovens se aproximam a este tremendo, a este encontro com Deus, de variadas formas. Queremos caminhar com eles, e queremos perceber de que forma é que os podemos ajudar a este contato com Deus, e com Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo”, acrescentou.
Neste sentido, o diretor da Pastoral da Juventude do Porto indica ainda que o ‘discípulo amado’ é o fio condutor deste setor nesta diocese, porque ensina como devem “viver este encontro permanente com Jesus, e como ser seguidores de Jesus Cristo”.
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