Bispos católicos pedem «empenho político e cívico», inspirados na Doutrina Social da Igreja, que contribuam para a «reconciliação social»

Matola, Moçambique, 24 abr 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) alerta para o “cansaço, desalento e desconfiança” e pede “empenho político e cívico, inspirados na Doutrina Social da Igreja”, no comunicado da 132ª Assembleia Plenária, realizada de 14 a 22 de abril.
“Há cansaço, desalento e desconfiança, e isso abre espaço a formas de fazer politica que se alimentam mais da manipulação e da propaganda do que da busca sincera de soluções efetivas e realistas para solucionar os problemas da população”, afirmam os bispos moçambicanos, sobre a situação sociopolítico do país, no comunicado da assembleia que decorreu no Seminário Filosófico de Santo Agostinho da Mutola.
A Conferência Episcopal de Moçambique na sua análise identifica as calamidades naturais, o conflito em Cabo Delgado, no norte do país, “a instabilidade internacional e as suas consequências sobre o dia-a-dia, a pobreza crescente”.
“A perca de qualidade da educação, a falta de medicamentos básicos nos hospitais, a degradação das estradas, a fragilidade de tantas famílias, as dificuldades de acesso à habitação e à saúde, o desencanto de muitos jovens e o sofrimento de tantas famílias abaladas pela crise económica interpelam-nos e recordam-nos que a lgreja deve permanecer junto das feridas e esperanças da sociedade”, desenvolvem.
Segundo os bispos católicos de Moçambique, num mundo marcado por conflitos e num pais em que as fragilidades sociais se evidenciam, são chamados a ser “cada vez mais sinal da esperança e da reconciliação que nasce do Evangelho e se traduz numo presença concreta junto das pessoas”.
“Diante destas realidades, apelamos a todos para que com o seu empenho político e cívico, inspirados na Doutrina Social da Igreja, contribuam sempre mais para a reconciliação social e o diálogo inclusivo para uma esperança concreta, capaz de tocar a existência real das pessoas e das comunidades”, acrescentam no comunicado final da 132ª Assembleia Plenária da CEM.
Na conclusão do documento, a Conferência Episcopal de Moçambique afirma que acredita que a força do país lusófono “reside na fé em Deus do povo”, que pode inspirar em todos “a coragem e a energia necessárias para superar as tendências negativas” e ajudar a promover o bem comum.
“Podemos construir uma sociedade melhor, onde a dignidade da vida seja valorizada e respeitada. Peçamos ao Senhor que nos dê lucidez para discernir, humildade para servir, coragem para continuar a caminhar juntos é confiança para acolher aquilo que o Espirito pede à Igreja no nosso tempo. Os desafios que temos pela frente são superáveis quando permanecemos unidos.”
A Assembleia Plenária da CEM decorreu durante a primeira viagem Apostólica de Leão XIV ao continente africano, onde visitou a Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, de 13 a 23 de abril, os bispos católicos “unidos em comunhão fratema e orante” fizeram-se representar na passagem do Papa por Angola, pelo bispo de Inhambane, D. Emesto Maguengue.
“Neste tempo de guerras, tensões e incompreensões no plano internacional, manifestamos plena comunhão e solidariedade com o Santo Padre e fazemos nossos o seu testemunho corajoso como peregrino da paz ao serviço de uma convivência fraterna entre os povos assente na justiça e na dignidade de cada pessoa”, acrescentam no comunicado final, publicado online pela Diocese de Pemba.
Foi anunciado que o novo magno chanceler da Universidade Católica de Moçambique (UCM) é D. António Juliasse Ferreira Sandramo, bispo da Diocese de Pemba, no norte do país, e os bispos avaliaram “positivamente a visita” do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, de 5 a 10 de dezembro de 2025.
CB
