Angola: Presidente condena «corrida desenfreada» a recursos

João Lourenço enaltece convivência entre religiões no país, em discurso de boas-vindas ao Papa

Luanda, 18 abr 2026 (Ecclesia) – O presidente de Angola, João Lourenço, condenou hoje a “corrida desenfreada” às matérias-primas através da força, num discurso que convergiu com a denúncia do Papa sobre a “lógica extrativista” em África.

“Lamentavelmente, assistimos cada vez mais a uma corrida desenfreada às matérias-primas, aos recursos energéticos, aos recursos minerais e outros tomados pela força das armas dos exércitos mais poderosos do mundo contra países soberanos”, declarou o chefe de Estado angolano no Palácio Presidencial, em Luanda.

O discurso de boas-vindas ao Papa Leão XIV defendeu o cumprimento das regras do comércio internacional como via para evitar o recurso à guerra pela posse de bens naturais.

“O comércio internacional tem regras bem estabelecidas que, uma vez cumpridas, as empresas e os Estados através de contratos e de acordos podem ter acesso aos recursos que precisam para a satisfação das suas necessidades sem que tenham de recorrer à guerra”, sustentou João Lourenço.

A intervenção sublinhou o papel da Igreja Católica como parceira social do Estado no investimento em setores como a saúde, educação e no combate à pobreza.

O governante enalteceu a convivência entre religiões no país, apresentando-a como um exemplo da tolerância da população angolana.

“Temos em Angola uma grande diversidade de religiões, que convivem entre si pacificamente e trazem em evidência o caráter profundamente tolerante dos angolanos”, observou perante o pontífice, as autoridades civis e o corpo diplomático.

João Lourenço aludiu ao sofrimento das populações no Médio Oriente, com referências diretas à Palestina, ao Líbano e aos países do Golfo Pérsico.

“Apelamos ao fim definitivo da guerra, à abertura do estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na região”, acrescentou o governante.

O presidente angolano abordou a dimensão nacional da visita, recordando a formalização do Acordo-Quadro entre Angola e a Santa Sé, assinado em 2019.

A necessidade de aprofundar a cooperação na área social motivou um desafio direto à presença católica no país.

“Gostaríamos de poder contar com o envolvimento mais construtivo da Igreja Católica na condição de parceira social do Estado, para juntos trabalharmos no propósito de alcançar o progresso e o desenvolvimento económico e social do nosso país”, indicou.

A cerimónia oficial seguiu-se à chegada de Leão XIV ao aeroporto internacional de Luanda, onde foi recebido por milhares de pessoas.

Esta é a terceira visita de um Papa a Angola, país com o qual a Santa Sé mantém um Acordo-Quadro assinado em 2019.

O programa prossegue este domingo com a celebração da Missa no Kilamba, nos arredores de Luanda, e a recitação do terço no Santuário da Muxima.

OC

Angola: Papa defende fim da «lógica extrativista» e superação de conflitos

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