Homilia do bispo de Viseu na Missa da Ceia do Senhor

Caríssimos irmãos e irmãs:
Com esta solene Liturgia da Ceia do Senhor damos início ao Tríduo Pascal, contemplando os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus.
A celebração não é apenas uma simples recordação do que viveu Jesus no decorrer da última Ceia, no rito do Lava-pés e na instituição da Eucaristia. É muito mais do que isso, ela introduz-nos na atualização salvífica dos mistérios da salvação. Na Eucaristia, Jesus torna-se presente no meio de nós, como Palavra e “Pão Vivo descido dos céus”.
Durante a Última Ceia, Ele disse aos seus discípulos: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer; pois digo-vos que não tornarei a comê-la, antes que se realize plenamente no reino de Deus” (Lc 22,15-16).
A Palavra de Deus proclamada fala-nos abundantemente do mistério da Páscoa, quer no livro do Êxodo, na Carta aos Coríntios e no Evangelho de São João.
São Paulo dá-nos o seu testemunho: “Irmãos: Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: O Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão, e dando graças, partiu-o e disse: Isto é o meu Corpo entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim”. Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim” (1Cor 11, 23-26). Este relato da última Ceia, faz memória da Instituição da Eucaristia. “Pois todas as vezes que comerdes este pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor até que Ele venha” (1Cor 11,26).
O Evangelho ao relatar o lava-pés, um gesto de Jesus cheio de amor, de entrega, de espírito de serviço e cuidado pelos irmãos mais necessitados e vulneráveis é um desafio atual.
À semelhança deste gesto, façamos também nós do serviço a marca do nosso ministério e da nossa vida cristã. Que nunca nos cansemos de nos colocar ao serviço do outro, de estender a mão aos que precisam, de acolher com ternura e proximidade aqueles que se sentem sozinhos ou abandonados.
Que esta atitude nos recorde que a verdadeira grandeza se encontra na humildade e que a missão da Igreja se realiza na doação sincera de nós mesmos, na partilha generosa do dom da vida e do amor de Cristo pelos pobres.
Neste mundo mergulhado em guerras, ódio e indiferença, sejamos a imagem de Cristo, o Bom Pastor. Abramos o nosso coração e as nossas mãos aqueles que nos procuram e pedem gestos de amor e solidariedade.
A raiz deste serviço está no “Mandamento Novo do Amor”. Avivemos a nossa fé e devoção a Jesus na Eucaristia. A Eucaristia como alimento e a oração como ação de graças e de louvor são antídotos contra os males do mundo: guerras, violências, ódios e indiferenças que alteram o sentido da vida e conduzem a humanidade à superficialidade e mediocridade.
Convido-vos a viver em caridade fraterna, com fé viva em Jesus, o verdadeiro Irmão e Amigo, fazendo da Eucaristia uma festa.
Como Igreja, sejamos construtores da dimensão Eucarística nas nossas vidas e comunidades crescendo na “comunhão, na participação e na missão”, fazendo da unidade e da intimidade com o Mestre, o desafio do serviço pastoral, de modo especial dirigido aos mais pobres e doentes.
Levemos a Santíssima Eucaristia para a vida e para o mundo, rezando com confiança e esperança: “Ó Jesus, eu vos louvo e vos amo no Santíssimo Sacramento”. Ámen!
D. António Luciano
Bispo de Viseu
