Patriarca de Lisboa presidiu à celebração da Missa Crismal na Sé e pediu que os padres possam ser «ponte» num mundo fragmentado, «nunca muro, nunca divisão»

Lisboa, 02 abr 2026 (Ecclesia) – D. Rui Valério afirmou hoje que ser padre “não se reduz a uma função”, mas traduz “uma forma de ser”, pediu que os sacerdotes não sejam “executores de ritos” ou “técnicos do sagrado” mas “celebrantes da salvação”.
“A nossa identidade não se reduz a uma função. É um ser. É uma forma de viver. Ao renovarmos hoje as promessas sacerdotais, renovamos mais do que palavras: renovamos o nosso coração”, pediu o patriarca de Lisboa, durante a homilia da celebração da Missa Crismal, enviada à Agência ECCLESIA.
O responsável lembrou aos sacerdotes, reunidos na Sé de Lisboa, que a missão que assumem “não é genérica ou abstrata” mas pede uma “uma entrega concreta, existencial, total”.
“A vocação sacerdotal não nasce de uma ideia, nem de um projeto pessoal. Nasce de uma iniciativa divina. Fomos escolhidos, chamados, enviados. Não somos porta-vozes de uma sabedoria humana, mas testemunhas de uma misericórdia que nos precede. Somos sinais de um amor que procura todos, que não exclui ninguém, que quer conduzir cada homem e cada mulher à comunhão com Deus. E aqui, irmãos, é decisivo recordar: não somos enviados isoladamente, mas como membros de um corpo, como ministros de uma Igreja, como servidores da comunhão”, indicou.
Chamados a “tornar visível o invisível”, D. Rui Valério assinalou que o padre “não é um mero executor de ritos” mas “celebrante da salvação” e pediu que os sacerdotes vivam “com os pés na terra e o coração no céu”.
O patriarca de Lisboa reconheceu a “coerência” e afirmou que se um sacerdote não vive o que celebra, “fere o coração da Igreja”.
“Quando se fecha sobre si mesmo, quando se torna autorreferencial, quando perde o sentido da missão, obscurece o rosto de Cristo que é chamado a revelar. E mais ainda: fere a unidade da Igreja”, assinalou.
D. Rui Valério lembrou ainda que o padre não é “proprietário do ministério”, mas antes “servidor de um povo, é homem de comunhão, é construtor de unidade”.
“Num tempo de fragmentação, de polarização e de divisão, o sacerdote é chamado a ser ponte, nunca muro; vínculo, nunca rutura; comunhão, nunca divisão. A fidelidade sacerdotal não é apenas uma virtude pessoal: é um serviço essencial à unidade do Corpo de Cristo. É necessário, sempre, recuperar o sentido de Igreja, sermos e vivermos como membros de Cristo e membros uns dos outros”, traduziu.












Dirigindo-se aos jovens, o patriarca de Lisboa convidou a que possam olhar o sue coração e a questionar-se: “Não terá Deus colocado em mim um coração sacerdotal? Um coração que só encontra alegria na entrega total? Não tenhais medo. Cristo chama-vos. A Igreja precisa de vós. O mundo tem sede de Deus!”
A finalizar D. Rui Valério pediu “pastores próximos”.
“Sejamos homens de comunhão. Homens de unidade. Homens da Igreja. Que o povo de Deus encontre em nós não técnicos do sagrado, mas homens configurados a Cristo, apaixonados pelo Evangelho e fiéis à Igreja. Que se diga de nós: ali vai um padre – homem de Deus, homem da Igreja, homem para os outros”, pediu.
A Missa Crismal reúne os sacerdotes na Sé de cada diocese e durante a celebração são benzidos os óleos destinados ao Crisma, aos doentes e à celebração do Batismo; é nesta eucaristia que os padres renovam as promessas sacerdotais.
LS
