LOC/MTC: Américo Monteiro adverte para «desafio preocupante» do pacote laboral, no fim do mandato

Coordenador nacional recorda os anos que esteve à frente do movimento, que vai eleger novos responsáveis

Foto: Agência ECCLESIA

Lisboa, 21 fev 2026 (Ecclesia) – O coordenador nacional da Liga Operária Católica – Movimento dos Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC), Américo Monteiro, que se prepara para deixar o cargo, alertou para as condições do novo pacote laboral que o Governo quer implementar.

“É um desafio preocupante, nós vamos porventura tomar até posição sobre essa questão, na medida em que cada vez se dá menos valor ao trabalho e aos trabalhadores”, afirmou o responsável, em declarações à Agência ECCLESIA, esta sexta-feira, à margem do encontro promovido pelo Fórum das Organizações Católicas para a Imigração e Asilo, na Damaia (Lisboa).

Américo Monteiro adverte para “a precariedade” e “os salários que não chegam” para o aumento do custo de vida.

Além disso, contesta ainda “a desregulação de horários ou de ritmos de trabalho cada vez mais puxados, cada vez mais exagerados”, quando “a maquinaria, o futuro, a inteligência artificial deveriam vir favorecer a vida dos trabalhadores”, indicando que na “produção isso não tem acontecido muito”.

A nossa preocupação está aí. Somos todos filhos de Deus, somos cocriadores da sociedade e, portanto, queremos que os trabalhadores se organizem e em grupo, em Igreja, consigam reclamar aquilo que é justo, o que é justiça para os trabalhadores, o que é que é digno para a vida de cada um”, defendeu.

De acordo com a Lusa, o anteprojeto de reforma, chamado “Trabalho XXI”, foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em 25 de julho de 2025 e continua em discussão na Concertação Social, antes de o executivo submeter uma proposta de lei no parlamento.

A 11 de dezembro de 2025 realizou-se uma greve geral, avançada pelas centrais sindicais que disseram não às alterações propostas e consideraram as mudanças um ataque aos direitos dos trabalhadores.

Esta manhã serão eleitos o/a novo/a coordenador/a e vice-coordenador/a nacionais da LOC/MTC, que realiza, entre as 10h00 e as 17h45, no Colégio de São Teotónio, em Coimbra, um congresso nacional extraordinário.

Américo Monteiro lidera a LOC/MTC desde 2019 e recorda que, ao longo destes anos, procurou proporcionar mais formação de animadores, de militantes, “para uma cidadania que hoje no país é muito baixa”.

“Eu iniciei o meu trabalho e passado pouco tempo tivemos a pandemia da Covid. Para grupos, comunidades de pequenos grupos cristãos que se reúnem periodicamente, foi uma situação muito complicada. Depois tivemos também a situação económica, da guerra, etc., e isso repercute-se tudo na vida dos trabalhadores”, lembrou.

O responsável considera que “hoje em dia as pessoas estão muito mais individualistas”, que há menos disponibilidade para a escuta, para o diálogo, destacando que o esforço da LOC/MTC “é contrariar essas tendências” que a sociedade “impõe” ou “força a seguir”.

“Procuramos fazer um trabalho humilde com os grupos que temos, pessoas já com bastante idade, tentar renovação”, explicou, referindo que, apesar não haver “grandes apoios” para este tipo de organizações, realizaram-se “boas dinâmicas de grupo”.

Espero que agora a nova coordenação, que vai ser eleita este sábado, prossiga um bom trabalho, com muito esforço, para que a LOC siga o seu caminho, neste ano que completa 90 anos”, desejou.

A data vai ser assinalada com “alguma comemoração”, adianta Américo Monteiro, recordando que o movimento teve início em 1936 em Portugal.

O coordenador nacional manifesta a vontade de ver os trabalhadores cristãos terem um espaço onde possam “reunir, dialogar” e assumir “em conjunto compromissos de construir um mundo diferente, um mundo melhor”, “mais justo” e “mais digno”.

Américo Monteiro destaca a dignificação do trabalho e dos trabalhadores como um traço da LOC/MTC, realçando que essa é uma “prioridade de sempre” que é muito frequente aparecer.

“Depois aparecem muitas outras. Este ano estamos a trabalhar a questão do trabalho e das migrações, trabalhamos com bastante afinco as questões da ecologia, do cuidar da casa comum e, portanto, em determinadas alturas sobrepõem-se outras prioridades que damos atenção”, referiu.

Contudo, sublinha, “a evangelização e a dignidade do mundo do trabalho” é fundamental para o movimento.

PR/LJ

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