Diálogo Inter-religioso: Vaticano enviou mensagem aos muçulmanos pelo início do Ramadão, que coincidiu com o começo da Quaresma

«Cristãos e muçulmanos, com as pessoas de boa vontade, são chamados a imaginar e a abrir novos caminhos pelos quais a vida possa ser renovada» – D. George Jacob Koovakad

Foto: Vatican News; Muçulmanos em oração na mesquita Al Fateh em Manama, Bahrein

Cidade do Vaticano, 2 fev 2026 (Ecclesia) – A Santa Sé enviou uma mensagem de paz, proximidade espiritual e solidariedade, aos muçulmanos de todo o mundo, por ocasião do mês do Ramadão, e a celebração conclusiva do ‘Id al-Fitr’, cujo início coincidiu com o começo da Quaresma.

“Queridos irmãos e irmãs muçulmanos, especialmente aqueles entre vós que lutam ou sofrem no corpo ou no espírito por causa da vossa sede de justiça, igualdade, dignidade e liberdade: tenham a certeza da minha proximidade espiritual e saibam que a Igreja Católica está solidária convosco”, escreve o prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso da Santa Sé, na mensagem publicada e enviada à Agência ECCLESIA, esta sexta-feira, pela sala de imprensa do Vaticano.

O colaborador do Papa acrescenta que estão unidos “não só pela experiência comum de provação”, mas também pela tarefa sagrada de “restaurar a paz no mundo quebrantado”.

Aos muçulmanos de todo o mundo, por ocasião do mês do Ramadão, o cardeal responsável pelo Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso, explica que “paz”, é o seu “desejo sincero” para cada um, para as suas famílias e “para as nações em que vivem”, mas esta não é “uma paz ilusória ou utópica”, como enfatizou o Papa Leão XIV na Mensagem para Dia Mundial da Paz 2026 (1 de janeiro), é uma paz nascida do «desarmamento do coração, da mente e da vida».

“Essa paz é um dom recebido de Deus e alimentado pela neutralização da hostilidade através do diálogo, da prática da justiça e do perdão. Através desta época partilhada do Ramadão e da Quaresma, que a nossa transformação interior se torne um catalisador para um mundo renovado, onde as armas da guerra dão lugar à coragem da paz”, desenvolveu D. George Jacob Koovakad,

O Ramadão 2026, o mês sagrado para os muçulmanos em todo o mundo, teve início esta quarta-feira, dia 28 de fevereiro, quando a Igreja Católica começou a celebrar a Quaresma, o tempo litúrgico de preparação para a Páscoa.

“Este ano, por uma providencial coincidência de calendários, os cristãos observam este período de jejum e devoção ao lado de vocês durante a santa época da Quaresma, que conduz a Igreja à celebração da Páscoa. Durante este período de intensa espiritualidade, procuramos seguir mais fielmente a vontade de Deus. Esta jornada partilhada permite-nos reconhecer a nossa fragilidade inerente e enfrentar as provações que pesam sobre os nossos corações.”

Foto: Lusa/EPA

O prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso da Santa Sé afirma que cristãos e muçulmanos, “com todas as pessoas de boa vontade”, são chamados “a imaginar e a abrir novos caminhos pelos quais a vida possa ser renovada”, uma renovação que é possível graças “a uma criatividade alimentada pela oração, pela disciplina do jejum que clareia a visão interior e por atos concretos de caridade”.

O cardeal indiano assinala que quando passam por provações – “sejam pessoais, familiares ou institucionais” -, muitas vezes acreditam que “compreender as suas causas revelará um caminho claro a seguir”, e numa era marcada por “uma sobrecarga de informações, narrativas e pontos de vista concorrentes”, o discernimento pode ficar “obscurecido e o sofrimento ainda mais agudo”.

“É precisamente nesse momento que pode surgir a tentação de ceder ao desespero ou à violência. O desespero pode parecer uma resposta honesta a um mundo quebrado, enquanto a violência pode apresentar-se como um atalho para a justiça que contorna a paciência exigida pela fé. No entanto, nenhum dos dois pode ser um caminho aceitável para os crentes. Um verdadeiro crente mantém o seu olhar fixo na Luz invisível que é Deus”, escreve o cardeal D. George Jacob Koovakad.

A mensagem da Santa Sé para os muçulmanos de todo o mundo  é publicada, anualmente, por altura do Ramadão e do ‘Id al-Fitr’, a festa conclusiva deste mês de jejum ritual).

CB/PR

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