D. Francisco Senra Coelho afirmou que os cristãos são chamados a salvar a verdade e credibilidade da palavra através da coerência palavra-vida

Évora, 20 fev 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora presidiu à Eucaristia de início do tempo litúrgico da Quaresma, celebração com imposição das Cinzas, esta quarta-feira, dia 18 de fevereiro, na Paróquia de Sé – igreja do Carmo, em Évora.
D. Francisco Senra Coelho começou a homilia de Quarta-feira de Cinzas a destacar a oportunidade que significa este Tempo da Quaresma para cada um dos discípulos de Cristo, como os 40 anos do Povo Bíblico no deserto, ou os 40 dias de silêncio e oração de Jesus Cristo, na sua preparação para a vida pública, informa a Arquidiocese de Évora.
O arcebispo da diocese católica explicou aos participantes da Missa de início da Quaresma que lhe era também proporcionado pelo Misericórdia de Deus um Tempo Favorável, “Kairós”, para descerem “da superficialidade da epiderme da vida” à profundidade da interioridade do encontro, onde são “consciência e encontro com a Luz em que nos vemos em Deus”.
D. Francisco Senra Coelho assinalou a importância libertadora desse encontro, “um Dom de Deus”, que ao amá-los primeiro “gratifica com esta experiência de verdade”, que é o primeiro momento da conversão, verem-se “na verdade de Deus” e percorrerem na liberdade o caminho de encontro com Ele.
Neste contexto, lembrou que o Papa Leão XIV na sua mensagem explica que é este o sentido da Quaresma, centrarem “de novo a vida em Deus, não permitindo que as pequenas urgências do quotidiano descentrem do encontro primordial da vida que deve acontecer com Deus”.
Segundo o arcebispo de Évora, a Quaresma é “um tempo mais de Deus e para Deus”, para se tornarem “mais para os outros”, na homilia de Quarta-feira de Cinzas, divulga a arquidiocese.
A Quaresma que se inicia com a celebração de Cinzas (quarta-feira), este ano dia 18 de fevereiro, é um tempo litúrgico de 40 dias (a contagem exclui os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência; serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão (5 de abril, em 2026).

D. Francisco Senra Coelho sugeriu como caminho quaresmal de conversão e penitência, a aplicar ao concreto da Igreja eborense, o apelo ao jejum de palavras, sugerido pelo Papa: afinal desarmar as palavras, colocar afecto nas palavras, não agredir com palavras ou por meias palavras, não semear palavras de desunião, mas de apreço e unidade.
O arcebispo de Évora incentivou os discípulos de Jesus a seguirem “aquele que é a Palavra do Pai e que foi fidelidade à Palavra do Pai, até à Cruz”, e afirmou que os cristãos são chamados a salvar a verdade e credibilidade da palavra através da coerência palavra-vida, em tempos sofisticados e programados de mentiras; de inflação, distorção e manipulação da palavra.
Na Arquidiocese de Évora, D. Francisco Senra Coelho destinou a Renúncia Quaresmal 2026 da arquidiocese para apoiar as vítimas das catástrofes naturais no território desta Igreja diocesana.
A renúncia quaresmal, a partilha, é um gesto associado às práticas tradicionais da esmola e do jejum, no qual os fiéis abdicam da compra de bens ou serviços habituais, reservando esse dinheiro para finalidades solidárias específicas, indicadas pelo bispo da diocese, durante o tempo de preparação para a Páscoa.
CB
