«Quaresma é o tempo da busca do essencial», disse D. Rui Valério, na celebração das Cinzas

Lisboa, 18 fev 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa evocou hoje as vítimas do mau tempo, que afetou o país nas últimas semanas, e anunciou que a tradicional renúncia quaresmal vai destinar-se às populações atingidas.
“Iniciamos esta Quaresma sob o peso, ainda vivo, das tempestades que devastaram a nossa terra. E, no meio dos escombros, a pergunta que o Profeta Joel sentia latejar nos povos de outrora, ecoa hoje nas ruas de Portugal: ‘Onde está o teu Deus?’”, observou D. Rui Valério, na homilia da Missa de Quarta-feira de Cinzas, a que presidiu na Catedral diocesana.
O responsável católico destacou a necessidade de uma resposta concreta à dor das populações afetadas pelo mau tempo.
“O fruto da nossa renúncia quaresmal deste ano será destinado a pessoas e instituições afetadas pelas tempestades que assolam Portugal. O apoio será coordenado pela Cáritas Diocesana de Lisboa”, afirmou, numa intervenção enviada à Agência ECLESIA.
O patriarca sublinhou que a resposta a este sofrimento se encontra na proximidade de Jesus Cristo, que se fez “próximo” da humanidade, manifestando a misericórdia de Deus.
D. Rui Valério destacou a densidade simbólica da imposição das cinzas, descrevendo-as como um convite à humildade e ao reconhecimento da dignidade humana perante o Criador.
“As cinzas recordam-nos que nada do que é puramente humano, as nossas obras, as nossas instituições, as nossas seguranças, possui em si o gérmen da eternidade”, sustentou.
O patriarca exortou os fiéis a aproveitarem os próximos 40 dias para uma busca interior, através da “docilidade” ao Espírito Santo.
“A Quaresma é o tempo da busca do essencial. Mais do que atravessarmos a Quaresma, deixemos que a Quaresma nos atravesse”, defendeu.
A intervenção deixou um apelo à conversão e ao compromisso com a santidade, evocando a necessidade de cooperação livre com a graça divina.
“É urgente o compromisso com a salvação! Deixemo-nos, pois, converter ao Senhor. O compromisso com a santidade é urgente. Deus está à escuta; Deus está próximo”, rematou D. Rui Valério.
A Quaresma é o período de quarenta dias de preparação para a Páscoa, centrado na oração, no jejum e na solidariedade, que em 2026 culmina com a celebração da ressurreição de Jesus, a 5 de abril.
OC
