Secretário de Estado do Vaticano manifesta pessimismo sobre conflito na Ucrânia, quatro anos depois da invasão russa

Roma, 18 fev 2026 (Ecclesia) – A Santa Sé recursou participar no Conselho de Paz devido à sua “natureza particular”, afirmou o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, manifestando ainda “pessimismo” perante a ausência de progressos na guerra da Ucrânia.
O responsável justifica a decisão com a especificidade jurídica e diplomática do Vaticano, que se distingue da estrutura dos restantes Estados.
“A Santa Sé não participará no Conselho de Paz devido à sua natureza particular, que evidentemente não é a dos outros Estados”, declarou o cardeal Parolin aos jornalistas, esta terça-feira, à margem da reunião bilateral com o Governo italiano que decorreu no Palácio Borromeo, em Roma.
O colaborador do Papa manifestou algumas reservas quanto ao funcionamento desta nova estrutura internacional, liderada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e reforçou a necessidade de centralizar a gestão de conflitos nas instâncias globais já existentes.
“Uma preocupação é que, a nível internacional, seja sobretudo a ONU a gerir estas situações de crise. Este é um dos pontos em que insistimos”, sublinhou o secretário de Estado do Vaticano.
A poucos dias do quarto aniversário do início invasão russa da Ucrânia, o cardeal Parolin apresentou um balanço negativo quanto às perspetivas de cessar-fogo ou negociações de paz.
“Há muito pessimismo em relação à Ucrânia. De ambos os lados, não nos parece que haja progressos reais no que diz respeito à paz e é trágico que, após quatro anos, ainda nos encontremos neste ponto”, lamentou.
Para o colaborador do Papa, embora os diálogos diplomáticos continuem, as expectativas de resultados concretos são reduzidas no atual cenário de bombardeamentos.
“Espera-se que estes diálogos possam produzir algum progresso, mas parece-me que não há muitas esperanças e muitas expectativas”, referiu o cardeal.
No plano das relações bilaterais com a Itália, o secretário de Estado destacou o clima de colaboração e agradeceu a “atenção que o Governo prestou a tantas questões que são caras à Igreja”.
A reunião bilateral no Palácio Borromeo assinalou o aniversário da assinatura dos Pactos Lateranenses e contou com a presença do presidente da República de Itália, Sergio Mattarella.
OC
