Vila Real: Bispo destina Renúncia Quaresmal a vítimas do mau tempo

D. António Augusto Azevedo pede conversão das «relações»

Foto: Lusa

Vila Real, 16 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo de Vila Real anunciou que a Renúncia Quaresmal deste ano será entregue às vítimas das tempestades que assolaram o país, exortando a diocese a uma “conversão comunitária” focada nas relações e nos processos de decisão.

“Na Quaresma deste ano não podemos esquecer tantas pessoas, famílias e comunidades afetadas pelas tempestades das últimas semanas em vários pontos do país”, escreve D. António Augusto Azevedo, na sua mensagem para o tempo litúrgico que antecede a Páscoa.

O responsável sublinha a urgência da solidariedade perante a calamidade, garantindo que a renúncia dos cristãos de Vila Real “reverterá para o apoio às vítimas”.

“A todas manifestamos a nossa solidariedade, prometemos as nossas orações e a nossa ajuda material”, acrescenta o documento.

A renúncia quaresmal é um gesto associado às práticas tradicionais da esmola e do jejum, no qual os fiéis abdicam da compra de bens ou serviços habituais, reservando esse dinheiro para finalidades solidárias específicas, indicadas pelo bispo da diocese, durante o tempo de preparação para a Páscoa.

Na mensagem intitulada ‘Quaresma: caminho de conversão pessoal e comunitária’, o prelado convida a diocese a implementar o “espírito sinodal”, identificando a necessidade de transformar a forma como as pessoas se relacionam dentro da Igreja.

Acolhendo as propostas do Documento Final do Sínodo, a conversão de que as nossas comunidades carecem é antes de mais, de relações. De facto, na vida da Igreja permanecem ainda demasiados egoísmos e invejas, querelas estéreis e divisões sem sentido. São indispensáveis relações novas.”

D. António Augusto Azevedo defende que a qualidade evangélica das relações é decisiva para o testemunho cristão, apelando ainda a uma “conversão de processos” que promova a participação de todos.

“Todos os batizados são chamados a um compromisso mais efetivo na vida da Igreja, essencial para construirmos comunidades com um rosto novo, mais abertas a todos, mais acolhedoras, onde se experimente o calor de uma verdadeira família”, refere.

O texto destaca também a importância da “conversão de vínculos”, reforçando a identidade eclesial sem fechar o coração a novas ligações, num mundo onde os cristãos são “peregrinos na história”.

Para o bispo de Vila Real, esta mudança comunitária depende de uma autêntica “renovação espiritual” de cada crente.

“Na base de toda a mudança de estruturas está sempre a mudança interior das pessoas”, sustenta, indicando a liturgia, a escuta da Palavra e o sacramento da Reconciliação como meios privilegiados para este caminho.

A mensagem recorda que a Quaresma deve ser um tempo de “sinais concretos e reais”, rejeitando intenções vagas.

“Há que reconhecer que muitos rumos têm conduzido à divisão e à violência, gerado mais sofrimento e desumanidade. Urge a conversão, a mudança de rumo”, conclui D. António Augusto Azevedo.

OC

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