Leão XIV entrega Ícone Jubilar à Ucrânia, em encontro com responsáveis italianos

Cidade do Vaticano, 14 fev 2026 (Ecclesia) – O Papa recebeu hoje, no Vaticano, a Confederação Nacional das Misericórdias da Itália, num encontro marcado pela entrega de um Ícone Jubilar destinado à Ucrânia e por apelos a uma caridade que saiba “caminhar com” o próximo.
“Sejam sempre mensageiros de esperança, caridade e paz, como simboliza a Ícone Jubilar que, numa longa viagem, visitou muitas comunidades e que agora é entregue aos irmãos e irmãs da Ucrânia”, afirmou Leão XIV, na Sala Clementina.
Perante uma vasta delegação da confederação, o Papa evocou as raízes medievais do movimento, nascido na Florença do século XIII num contexto de guerras e divisões, destacando a sua rápida expansão internacional.
“O seu exemplo, talvez precisamente pela sua genuína simplicidade, rapidamente contagiou muitos, primeiro na Península e depois também noutros países, até chegar a Portugal e daí às Américas”, sublinhou Leão XIV.
O discurso, publicado pela sala de imprensa da Santa Sé, destacou que a ação das Misericórdias não se pode reduzir a um “espiritualismo desencarnado” nem a uma simples prestação de serviços, pedindo uma relação de proximidade e reintegração social.
“Não se limitam a ‘fazer por’, mas comprometem-se a ‘caminhar com’, reconhecendo nos outros irmãos e irmãs, cada um com a sua dignidade e a sua história”, referiu, elogiando o trabalho realizado em bancos alimentares, assistência domiciliar e territórios de guerra.

O Papa alertou para a necessidade de os membros das Misericórdias servirem “alheios a qualquer lógica de poder”, cultivando a formação cristã e a vida sacramental para não perderem a sua identidade.
A intervenção destacou a figura dos assistentes espirituais, tradicionalmente designados como “corretores”, definindo-os não como guias externos, mas como “co-retores”, facilitadores e companheiros de viagem num clima de corresponsabilidade.
Leão XIV elogiou ainda a capacidade de atualização destas instituições seculares, apontando como exemplos a criação do grupo “Fratres”, dedicado à doação de sangue e órgãos, e a “Piccola misericordia”, voltada para a educação para a caridade na infância.
“Onde há necessidade, as Misericórdias estão presentes, em situações extraordinárias de emergência, em territórios de guerra, bem como nos milhares de serviços ocultos de solidariedade quotidiana”, concluiu.
OC
