Dia Mundial das Comunicações Socais: «Mensagem do Papa foi escrita a pensar no Alentejo», imaginou Amílcar Matos

Tema do documento foi comentado pelo jornalista em Évora há 35 anos, numa sessão de apresentação de projetos de comunicação, nomeadamente da arquidiocese

Foto Agência ECCLESIA/PR

Évora, 23 jan 2026 (Ecclesia) – O jornalista Amílcar Matos referiu-se hoje ao tema da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, ‘Preservar vozes e rostos humanos”’, e disse que o Papa a terá escrito “a pensar” no Alentejo.

“A mensagem do Papa foi escrita a pensar no Alentejo. Se há região que tem rostos e vozes, é o Alentejo”, afirmou.

Para o correspondente da TVI na região alentejana, a mensagem do Papa “encaixa que nem uma luva” na região.

Foto Agência ECCLESIA/JPG, Amílcar Matos

“Somos uma região de rostos, de vozes, de gente que nos toca”, afirmou, recordando 35 anos de “experiência muito agradável”, porque os “rostos e as vozes multiplicam-se por milhares de pessoas” com quem dialogou.

Amílcar Matos lembrou que o trabalho do jornalismo “são os rostos, são as pessoas” e disse que, num contexto de desenvolvimento da inteligência artificial e da globalização da comunicação, é necessário “voltar a esses tempos da empatia, do cheiro das pessoas”.

“Se abrirmos as televisões e os jornais, não conseguimos ver o que é o Alentejo. Temos de ser nós que aqui estamos, com órgãos regionais, a tentar mostrar o Alentejo e as pessoas de cá, o rosto e as vozes”, apontou.

O correspondente da TVI valorizou os projetos de comunicação para “nichos”, de forma temática, correspondendo ao interesse de públicos determinados, onde o tema religião convive com outros temas da sociedade.

‘Preservar Vozes e Rostos Humanos’ é o tema da mensagem do Papa para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que habitualmente é divulgada a 24 de janeiro, dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.

Foto Agência ECCLESIA/JPG

Para o arcebispo de Évora, o verbo “preservar”, na formulação do tema da mensagem do Papa, alertando para o perigo da comunicação social “controlar os acontecimentos”, desligando-se das vozes e dos rostos e, assim correndo o risco de “se desacreditar”.

“Neste ‘preservar’ há uma incidência na objetividade no que a notícia não pode perder: o rosto autêntico da pessoa que se tornou acontecimento e na voz que traduz o que aconteceu”, afirmou.

D. Francisco Senra lembrou que a comunicação social “é um grande poder”, que pode “controlar a opinião pública”.

Isabel Figueiredo, diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais agradeceu ao Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Évora e sublinhou que o “que faz sentido” é ir ao encontro dos secretariados diocesanos para viver a comunicação, em cada região.

Referindo-se ao tema da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, a diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Socais lembrou que o texto escrito pelo Papa vai ajudar a fazer memória “dos rostos” com quem cada pessoa dialogou sobre a temática proposta pelo Papa.

Isabel Figueiredo lembrou a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais em 2025, que desafiava a “desarmar as palavras”, e referiu-se ao apelo do Papa Leão XIV de promover uma “comunicação da paz”, alertando para “um trabalho que se distinga” que é pedido à comunicação da Igreja Católica.

D. Fernando Paiva, vogal da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, encerrou a sessão, que decorreu na Cúria da Arquidiocese de Évora, valorizando o “gesto de proximidade” que aconteceu com o diálogo em torno do tema da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Socais, agradecendo a presença de todos.

Foto Agência ECCLESIA/PR, Padre Manuel Vieira

O diretor do Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Évora, padre Manuel Vieira, defendeu hoje que é dever da Igreja “preservar vozes e rostos” que a compõem.

Na apresentação do tema da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, em Évora, o responsável considerou que a Igreja tem uma mensagem para transmitir e tem também a responsabilidade de mostrar quem a integra.

“O maior desafio é encontrar as vozes e rostos” que fazem vida “da Igreja”, afirmou o sacerdote, na sessão promovida pelo Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Évora e pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.

Na intervenção, o padre Manuel Vieira começou por agradecer a presença de todos os jornalistas e comunicadores: “É com muita alegria e satisfação que acolhemos esta iniciativa”.

O responsável olha para este encontro como um pretexto para todos o que trabalham na comunicação se juntarem, conversarem e se conhecerem.

“[Este] título sugere uma série de coisas”, afirmou o padre Manuel Vieira, indicando que “parece que, às vezes, o mundo da comunicação é espuma dos dias”, em que tudo é “rápido” e “efémero”, ainda mais com as redes sociais.

Foto Agência ECCLESIA/PR, Pedro Conceição

Depois da intervenção do responsável, os elementos que formam o Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Évora apresentaram-se, começando por Pedro Conceição.

“O que nós fazemos aqui e sabendo o tema da mensagem é mesmo isto: preservar vozes e rostos”, disse o diretor adjunto do mesmo departamento.

O chefe de redação do jornal “A Defesa” refere que o trabalho na comunicação da Arquidiocese passa “sempre” por contar histórias e “mostrar pessoas que estão a trabalhar pelo bem comum”.

Foto Agência ECCLESIA/PR, Paulo Azadinho

“É o critério que nos guia todos os dias”, assinala.

Também o casal Débora e Paulo Azadinho, da Comunidade ‘Canção Nova’ de Évora, abordaram que papel têm no departamento de comunicação.

“O meu trabalho cruza design gráfico e redes sociais”, disse Débora, que indicou a presença recente no Instagram deste departamento.

Paulo Azadinho referiu que, nos últimos seis anos, o seu trabalho passou por fazer a “transição da rádio para a multimédia”.

Foto Agência ECCLESIA/PR, Débora Azadinho

O estúdio “Esperança Multimédia”, que foi visitado pelos participantes nesta sessão, localiza-se nas antigas instalações da Rádio Voz do Alentejo, em Évora, onde agora são produzidos podcasts, programas, uma série de catequeses, entre outros, aos quais foi possível dar imagem, que podem ser consultados na página da arquidiocese na internet e nas redes sociais Youtube e Facebook.

“Traduzimos o plano pastoral […] em imagem, programa e conteúdos que vão além da notícia”, referiu Paulo Azadinho.

Segundo o membro da Canção Nova, há muita gente em “Évora que traduz o Evangelho”.

“Enquanto departamento de comunicação, [a nossa missão] é dar espaço aos rostos, dar espaço às vozes […] sem ter medo da inteligência artificial”, mencionou.

“A Inteligência Artificial auxilia-nos”, acrescentou.

LJ/PR

 

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