Igreja: Patriarca de Lisboa pede aos novos padres que saiam, ajudem a «renovar» e a «alcançar os que estão longe»

D. Rui Valério afirmou aos oito novos padres que o «presbitério de Lisboa» é marcado pela «fraternidade sacerdotal», uma «história construída por gerações de padres» que «aprenderam a trabalhar em comunhão»

Foto Agência ECCLESIA/PR

Lisboa, 28 jun 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa pediu hoje aos oito padres ordenados que partilhem o seu “sangue novo” com os “irmãos sacerdotes” e ajudem a “renovar o ardor missionário”, a “sair” e a “alcançar os que estão longe”.

“Contagiai com o vosso entusiasmo os vossos irmãos sacerdotes. Ajudai-nos a todos a renovar o ardor missionário. Porque precisamos de renovar a missão. Precisamos de sair. Precisamos de alcançar aqueles que estão longe. Precisamos de fazer chegar a graça de Deus a todos os cantos deste Patriarcado. Nenhum coração pode ficar excluído do anúncio do Evangelho. Nenhuma pessoa pode sentir-se esquecida pela Igreja”, afirmou D. Rui Valério durante a homilia da celebração, no Mosteiro dos Jerónimos, a que presidiu.

O responsável assinalou a “chegada de novos padres” ao patriarcado de Lisboa como “um acontecimento que renova a esperança da Igreja”, e apontou o fazer parte do “presbitério” uma “realidade espiritual e eclesial profundamente bela”.

“Entrareis hoje numa família sacerdotal que vos precede e que vos acolhe. Entrareis numa história construída ao longo de muitas décadas por gerações de sacerdotes que deram a vida pelo Evangelho nesta Igreja de Lisboa. Um presbitério que aprendeu a trabalhar em comunhão, envolvendo bispos auxiliares, vigários, párocos, capelães, religiosos e leigos, numa única missão ao serviço do Povo de Deus. Mas existe ainda uma característica que quero hoje sublinhar de forma especial: a fraternidade sacerdotal”, valorizou.

Foto Patriarcado de Lisboa

A cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos ordenou os diáconos António Lopes, António Raimundo, Daniel Balhico, Frederico Matos e João Maia, do Seminário dos Olivais e os diáconos Emmanuel Moretton, Dilson Lazary e Santiago Villalôbos, do Seminário ‘Redemptoris Mater’ Nossa Senhora de Fátima, em Caneças.

D. Rui Valério reconheceu um tempo “particularmente significativo da vida da Igreja”, marcado pelo “caminho indicado” pelo Papa Leão XIV para que Deus esteja no “horizonte humano do agir e das escolhas”.

“Talvez esta seja uma das maiores urgências do nosso tempo. Vivemos numa sociedade que possui muitos meios, mas muitas vezes perdeu os fins. Uma sociedade rica em tecnologia, mas frequentemente pobre de transcendência. Uma sociedade cansada do egoísmo, da violência, da autorreferencialidade e do materialismo. E perante esta realidade, a Igreja possui algo único para oferecer: Deus. Não uma ideia ou uma teoria sobre Deus. Mas o Deus vivo revelado em Jesus Cristo”, apontou.

O patriarca de Lisboa pediu que aos novos padres para que a sua juventude, acompanhada por “novas linguagens, novas sensibilidades” possa promover uma aproximação natural da Igreja a ambientes “onde tantas pessoas vivem hoje, especialmente no mundo digital”.

“Trazeis entusiasmo, criatividade, energia missionária. E tudo isto constitui um valor acrescentado para o nosso presbitério”, indicou.

“A Igreja conta convosco. Conta convosco para ajudar os homens e mulheres do nosso tempo a reencontrarem Deus. Conta convosco para levar Cristo às famílias, às escolas, às universidades, às empresas, aos hospitais, às prisões, aos pobres, aos jovens, aos idosos. Enfim: a todos. Porque não existe realidade autenticamente humana onde Deus não deva estar presente”, acrescentou.

Foto Patriarcado de Lisboa

D. Rui Valério explicou que a Igreja pede “disponibilidade” para “gastar a vida”, “inteiramente, sem reservas, sem cálculos e sem medo”.

Referindo-se ao texto do Evangelho, quando Jesus pergunta a Pedro se o ama, o patriarca faz notar: “Não lhe pergunta se é inteligente, nem se é competente. Não lhe pergunta se possui qualidades de liderança. Não lhe pergunta sequer se será capaz de enfrentar as dificuldades da missão. Pergunta-lhe apenas: «Tu amas-Me?». Porque o sacerdócio nasce daqui. Não nasce de uma capacidade humana. Não nasce de uma estratégia pastoral. Não nasce de uma realização pessoal. O sacerdócio nasce do amor de Cristo e efetiva-se no amor a Cristo”.

Aos novos padres, D. Rui Valério afirma que o sacerdote “não existe para oferecer a si mesmo”, para “transmitir opiniões pessoais” ou “promover ideologias”.

“Não existe para anunciar programas humanos. O sacerdote existe para dar Cristo. O maior tesouro da Igreja não é uma estrutura. Não é uma organização. Não é uma influência cultural. O maior tesouro da Igreja é Jesus Cristo. Por isso, quanto mais unidos estiverdes a Cristo, mais fecundo será o vosso ministério”, indicou.

Na cerimónia estiveram presentes 27 diáconos, 156 padres, seis bispos e foi presidida pelo patriarca de Lisboa, foram ainda ordenados três diáconos em vista à ordenação sacerdotal, os alunos do Seminário dos Olivais Diogo Branco, Jobin Jonhy e José Alberto Rodriguez.

O Mosteiro dos Jerónimos voltou a receber a celebração das ordenações sacerdotais, depois de quatro celebrações de ordenações realizadas na Igreja de São Vicente de Fora, devido às obras de conservação e restauro que decorreram naquele monumento nacional; a celebração foi participada por cerca de 1850 pessoas.

LS

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