Responsável pela Pastoral de Brasileiros no Exterior na CNBB entende que «não deveria haver tantas dificuldades de integração quando alguém escolhe viver» noutro país

Lisboa, 06 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo responsável pela Pastoral de Brasileiros no Exterior (PBE) na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Luiz Fernando Lisboa, contestou os discursos extremistas contra migrantes e apelou a um maior acolhimento.
“[Discursos extremistas contra migrantes] é uma atitude a condenar. Deus criou esta casa comum para todos habitarem. Nós é que inventamos as fronteiras. Então nós precisamos de ultrapassar essas barreiras das fronteiras. Todo mundo tem o direito de ir e vir”, afirmou o bispo da diocese brasileira de Cachoeiro de Itapemirim.
Em declarações à Agência ECCLESIA, em Lisboa, esta segunda-feira, D. Luiz Lisboa referiu que apesar do território, cultura e país serem diferentes, “não deveria haver tantas dificuldades de integração quando alguém escolhe viver” noutra nação.
Para o arcebispo, é missão da Igreja afastar os discursos mais radicais contra os migrantes, lembrando que Jesus Cristo também esteve nesse papel, quando foi obrigado a ir para o Egipto, para refugiar-se e não ser morto.
“Os imigrantes, muitos vão tentar uma vida nova, buscar melhores condições de vida. E muitos que estão noutros países estão refugiados por causa da fome, por causa de guerra, por causa de violência. Então nós temos que ser acolhedores. Assim como nós gostamos de ser acolhidos, temos que acolher bem os outros também”, indicou.
D. Luiz Lisboa integra a Comissão Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, cuja uma das missões é acompanhar os cidadãos de nacionalidade brasileira no exterior, sendo Portugal o segundo país com o maior número (cerca de 600 mil), apenas atrás dos EUA (cerca de 2 milhões).
“O trabalho dessa comissão é visitar os brasileiros, se possível celebrar com as comunidades de brasileiros e acompanhar aqueles que acompanham. Acompanhar os padres que estão fora, em outros países, e que servem, que ajudam essas comunidades de brasileiros”, explicou.

Questionado sobre o processo de integração dos imigrantes brasileiros em Portugal, o arcebispo aponta a “facilidade” da língua, apesar de haver sempre dificuldades, indicando que o objetivo da comissão é que estas sejam “um pouco diminuídas”.
D. Luiz Lisboa assegurou que o intuito da PBE não é “formar guetos de brasileiros”, mas ajudá-los a integrar-se e incentivar a sua participação nas comunidades locais, levando-as a crescerem.
Sobre a adoção de discursos extremistas que rejeitam e afastam os imigrantes por parte de forças políticas em Portugal e o impacto nos cidadãos brasileiros, o responsável católico dá conta que ouviu relatos de pessoas que tiveram “experiências um pouco traumáticas”.
“Mas outros não”, indicou, destacando que, independentemente do lugar, há sempre dificuldades.
“No Brasil também. No Brasil nós tivemos no governo uma extrema-direita que não gostava de imigrantes, de pobres. Então isso acontece em todo lugar. Nós, como brasileiros, temos que estar prontos também a enfrentar isso nos países onde nós escolhemos para viver”, salientou.
A CNBB é a instituição permanente que congrega os bispos da Igreja Católica Apostólica Romana no país, na qual exercem conjuntamente algumas funções pastorais em prol dos fiéis.
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