Ser Igreja junto dos seropositivos e doentes de Sida

O Congresso Internacional para a Nova Evangelização (ICNE) traz até Lisboa experiências de vida em Igreja de toda a Europa, algumas das quais muito diferentes das que se vivem em Portugal. De Paris chegou o testemunho da comunidade de Tiberíades, que se define como “um lugar de acolhimento e escuta para seropositivos e doentes de Sida”. Segundo Eliane Hardy, as chaves para este trabalho são simples: “verdade, misericórdia e compaixão”. Mesmo quando as questões são mais polémicas – assuntos como o preservativo e a homossexualidade estão muito presentes na história de vida das pessoas acolhidas – Eliane assegura que o fundamental é ser claros sobre a posição da Igreja, procurando evitar que isso crie um fosso entre a comunidade e aqueles que a procuram. Aos que falam de Sida como “amor que mata”, Eliane Hardy lembra, apenas, que “o verdadeiro amor não mata”. “Mais do que uma missão social ou religiosa, Tiberíades tem a missão de acolher e escutar gratuitamente, como uma família”, disse. Uma espécie de “não-acção” que leva a “não-resultados”, numa sociedade em que o tempo para parar e estar com os outros é cada vez menor. Numa comunidade de leigos consagrados que se diferencia de outras instituições pela capacidade de “impor regras” e “oferecer segurança” aos seropositivos e doentes de Sida, estão cinco pessoas em permanência, ajudadas por cerca de 40 voluntários. Nada do que fazem pretende ser “serviço social”, mas uma forma de “estabelecer relações entre pessoas e de acolher”. Eliane assegura que “a verdade liberta” e que, por isso, é importante que quem procura Tiberíades saiba exactamente o que pode esperar desta comunidade católica, que os acolhe como e enquanto Igreja – um caso muito especial na Europa. “Podemos encontrar-nos com estes irmãos, acolhe-los com amor e levá-los ao encontro com a Igreja”, afirmou, desde que eles sintam que quem está diante deles nãos os vai julgar, abandonar ou condenar.

Partilhar:
Scroll to Top