O presidente da Conferência Episcopal Espanhola, D. Ricardo Blázquez, considera que a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo é “inconstitucional” e provocará uma “confusão imensa de ordem moral”. Falando aos jornalistas, o prelado disse que as dificuldades na relação com o Governo de Zapatero se devem a “uma série de medidas, anúncios e decisões que colocaram a Igreja em estado de alerta e preocupação”. Os primeiros processos de casamentos homossexuais deram entrada ontem nas Conservatórias de Registo Civil em Espanha. D. Blázquez criticou duramente a lei que permite a união entre pessoas do mesmo sexo e assegurou que “na mente dos constituintes não se encontrava a regulação deste tipo de união”. Apesar das críticas, o presidente da CEE assegurou que não é competência da Igreja “apresentar um recurso de inconstitucionalidade”. “Com esta lei fere-se uma instituição milenar e universal, introduzindo-se uma confusão imensa de ordem moral e na educação”, disse o Bispo de Bilbau, considerando que a legislação “não abre um caminho rumo à excelência humana, mas ao retrocesso”. Ontem, o Arcebispo de Madrid, Cardeal Antonio Rouco Varela, foi recebido no Vaticano por Bento XVI e assegurou que com a recente legislação sobre matrimónio e família aprovada na Espanha “não se nega apenas a fé, mas também a própria razão humana”. Durante a audiência que o Papa concedeu a uma delegação da diocese madrilena, o Cardeal Rouco Varela denunciou que a sociedade espanhola está “fortemente tentada por uma cultura relativista e umas propostas de vida radicalmente secularistas, apresentadas como se Deus não existisse”. Bento XVI, por seu lado, disse que a Igreja Católica fala para todos, mesmo para aqueles que a ignoram. Sem nunca se referir directamente à questão da legalização dos casamentos homossexuais em Espanha, que tem provocado grande polémica entre Igreja e Governo no país vizinho, o Papa afirmou que a comunidade católica “é uma assembleia aberta, depositária de uma mensagem com vocação universal, destinada a todos os seres humanos”. Às críticas que têm sido feitas à posição católica, Bento XVI responde que “a caridade é, antes de mais, comunicação da verdade”. Tendo em vistas as correntes que pretendem reduzir a vivência da religião ao âmbito do privado, Bento XVI disse também que a presença da Igreja revela “um amor solícito, generoso, incondicional, que se oferece não só aos que escutam o mensageiro, mas também aos que o ignoram ou recusam”.
