Isabel Figueiredo, diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais

55º Dia Mundial das Comunicações Sociais

16 de maio de 2021

Cinquenta e cinco anos não é algo que possa passar desapercebido entre calendários, eventos e festas. É um número que nos diz de uma forma imediata, a relevância que a Comunicação Social tem na vida da Igreja. Uma relevância que se sustenta tanto na produção dos primeiros documentos oficiais como o Decreto Conciliar sobre os meios de Comunicação “Inter Mirifica”, assinado por Paulo VI, em dezembro de 1966, e sua Instrução Pastoral “Communio et Progressio” publicada por mandato do Concílio Ecuménico II e assinada em 1971, ou pelas sucessivas publicações das Mensagens para este dia, que nos permitem uma sempre nova leitura do passado e do presente da vida social, cultural, económica, até mesmo politica, a nível mundial.

Na verdade, passados mais de 50 anos, estes documentos permanecem capazes de revelar uma visão desconcertante da evolução da sociedade e de nos continuarem a questionar. E se os documentos oficiais são isso mesmo, uma escrita, que podemos consultar a qualquer momento, sobre as preocupações, aspirações, anseios e capacidades de que fomos e somos capazes sobre esta ou aquela realidade, a vida da Igreja está cheia de testemunhos pessoais, de experiências comunitárias, de avanços e recuos tecnológicos, no mundo da comunicação social.

De uma forma muito especial, a Mensagem deste ano, ganha uma renovada importância, não só porque escrita no contexto dos efeitos de uma pandemia mundial, mas também porque está toda ela marcada pelo olhar transparente do Papa Francisco. Um olhar que vê o mundo, que conhece a humanidade e que não receia o uso das palavras, nem o impacto das imagens por elas criadas. Um olhar que não se desvia nunca da pessoa de Jesus, que O coloca no centro de tudo o que lemos e ouvimos e que nos pede constantemente conversão. Um olhar que critica com objetividade, mas que é capaz de se traduzir em palavras de apoio, de encorajamento, quase de elogio. Lembra a figura do pai que exige dos filhos o que sabe que eles podem dar, mas que não empurra nenhum deles para a beira de nenhum caminho. Um olhar que exige movimento, que não se resigna às águas paradas de tantas vidas… Um olhar centrado na vida dos profissionais de comunicação e a pensar em todos. Como alguém me dizia recentemente, a oração com que o Papa termina a sua Mensagem deste ano, apesar de ser escrita para os jornalistas pode ser para todos nós… Na verdade, vivemos um tempo em que todos somos agentes de comunicação, responsáveis pela produção de enorme diversidade de conteúdos e responsáveis pela forma como consumimos a comunicação que todos os dias nos entra pela vida adentro.

Ler e rezar esta oração é uma extraordinária possibilidade de traçar uma linha que une o passado distante dos anos sessenta ao seculo XXI que conhecemos. Sonhos e metas, luzes e sombras. Um caminho só possível com a pessoa de Jesus no centro, uma aventura que nos pede aquele “Vem e verás”, que nos fala de encontros, que nos exige uma sempre renovada capacidade de comunicar. Este é o desafio que nos motiva, nos reencontra, nos justifica enquanto comunicadores ao serviço da Igreja.

“Senhor, ensinai-nos a sair de nós mesmos,
e partir à procura da verdade.
Ensinai-nos a ir e ver,
ensinai-nos a ouvir,
a não cultivar preconceitos,
a não tirar conclusões precipitadas.
Ensinai-nos a ir aonde não vai ninguém,
a reservar tempo para compreender,
a prestar atenção ao essencial,
a não nos distrairmos com o supérfluo,
a distinguir entre a aparência enganadora e a verdade.
Concedei-nos a graça de reconhecer as vossas moradas no mundo
e a honestidade de contar o que vimos.”

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