Consagrados para evangelizar

Neste quarto Domingo do Tempo Comum celebramos a Festa da Apresentação do Senhor no Templo de Jerusalém, que coincide também com o Dia da Vida Consagrada. Este ícone da entrega de Cristo nas mãos do Pai convida todos os consagrados e consagradas a renovar a sua entrega nas mãos de Deus e a fazer da própria existência um dom de amor, um testemunho comprometido da realidade do Reino.

Jesus escolheu um caminho de total fidelidade aos mandamentos e aos projetos do Pai. Ao oferecer-Se a Deus em oblação, ao ser “consagrado” ao Pai, Jesus manifesta a sua disponibilidade para cumprir fiel e incondicionalmente o plano salvador do Pai até às últimas consequências, até ao dom total da própria vida em favor dos homens. O seu “ecce venio” é o modelo da doação e da entrega de todos os consagrados, chamados a seguir Jesus mais de perto, numa oblação total a Deus e ao Reino.

No Evangelho, Jesus é apresentado como “a salvação colocada ao alcance de todos os povos”, a “luz para se revelar às nações e a glória de Israel”, o messias com uma proposta de libertação para todos os homens.

Simeão e Ana são, na cena evangélica, figuras do Israel fiel, que foi preparado desde sempre para reconhecer e para acolher o messias de Deus. Na verdade, quando Jesus aparece, eles estão despertos para reconhecer naquele bebé o messias libertador que todos esperavam e apresentam-n’O formalmente ao mundo.

Hoje, os consagrados têm a responsabilidade de O apresentar ao mundo e de O tornar uma proposta questionadora, libertadora, iluminadora, salvadora, para os homens nossos irmãos. É isso que realmente acontece?

A Vida Consagrada é chamada a refletir de maneira particular a luz de Cristo. Nas pessoas consagradas, membros dos institutos religiosos e das sociedades de vida apostólica, dos institutos seculares e das ordens contemplativas, que procuram viver ao estilo das Bem-aventuranças, deveríamos ver o “fermento” de esperança para a humanidade, o “sal” que dá sabor ao mundo, uma “luz” que se acende na escuridão do mundo e que indica caminhos de verdade e de liberdade, a “porta” entreaberta para o Reino de Deus e para os “novos céus e a nova terra” que Deus quer apresentar à humanidade.

É preciso que os consagrados sejam luz e conforto para cada pessoa, velas acesas que ardem com o próprio amor de Cristo, luz que ilumina as sombras do mundo e que profeticamente anuncia a aurora de uma nova realidade.

“Consagrados para evangelizar”, é o lema deste Dia e da Semana de Oração, que hoje termina, com os consagrados e consagradas. Todos somos chamados a evangelizar, a testemunhar e a anunciar a Palavra de Deus que é o próprio Cristo.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

 

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