Há «conquistas inesquecíveis a merecer festa em qualquer tempo e a qualquer pretexto», afirmou o bispo de Portalegre-Castelo Branco

Portalegre, 25 abr 2020 (Ecclesia) – O bispo de Portalegre-Castelo Branco afirmou a importância de o povo celebrar o 25 de abril, “com gosto e ao seu jeito, e como melhor o conseguir fazer”, dia nacional “que a todos orgulha e enobrece o país”.

“Cada país tem o seu Dia Nacional, o qual, infelizmente, nem sempre é o dia da conquista da liberdade, dentro daquela Liberdade e Dignidade de filhos de Deus. Por paradoxal que pareça, esses dias nacionais vão-se sucedendo uns aos outros, tal como aquelas afirmações que são tão verdade enquanto não vem outro e diz o contrário. Parece que cada tempo tem de ter forçosamente os seus heróis. Mudam-se os tempos mudam-se as vontades, sobretudo quando os que governam se esquecem da sua verdadeira missão ao serviço do povo”, escreve D. Antonino Dias num texto intitulado «O Ruído das Liberdades de Abril», publicado no facebook.

O bispo de Portalegre-Castelo Branco afirma haver “conquistas inesquecíveis a merecer festa em qualquer tempo e a qualquer pretexto”, mesmo que “com terno e gravata”.

“A ferir a história dos povos, idênticas manifestações também fazem as ditaduras, com desfiles militares a quererem assustar o mundo, discursos empolgados a olhar para o umbigo, aplausos e palmas a aquecer as mãos e a atordoar os ouvidos. Os demagogos encontram aí uma grande ocasião para espraiarem o seu ego por entre discursos inflamados a ecoar por mundo fora. O povo, esse, e conforme os casos, ou se manifesta livremente na alegria e gratidão de ter a liberdade, ou na obrigação de fingir e repudiar a tristeza que lhe vai na alma”.

Afirma o responsável que a “consciência da liberdade e da dignidade do homem” andam de “mão dada com a afirmação dos direitos inalienáveis da pessoa e dos povos”, sendo esta uma “característica predominante” do tempo presente, mas lembra que “a comunicação que Deus fez de si mesmo”, veio “inverter valores” e não o fez “com armas e opressão, mas comprometendo-se com a sorte do homem, em amor e misericórdia”.

“Inverteu os valores, fez resplandecer a dignidade pessoal de cada indivíduo, deu aso à formulação dos direitos humanos mesmo que ainda muito espezinhados”, sublinha.

O exemplo de Jesus, indica, continua a falar através da “simplicidade da vida, com a humanidade”, com a “obediência ao Pai, com a coerência, com a fidelidade à verdade e com o amor a toda a gente, sem fazer aceção de pessoas, dando prioridade aos que sofrem e aos esquecidos à margem da vida”.

“Ateus, crentes, filósofos, escritores, artistas, pessoas de todas as áreas do saber, do poder e do saber fazer, ninguém, ninguém ficou nem fica indiferente perante o que Ele disse e fez, perante o encanto da sua pessoa e da sua doação até ao extremo”, sublinha.

D. Antonino Dias reconhece haver sempre quem “esteja com o regime que se apoia na razão da força, quer quando se pauta pela força da razão”: “O virar da casaca é imediato, num esfregar de olhos”, lamenta, criticando a “subserviência” que nunca “deixa livres” para avaliar qualquer dos sistemas, percebendo também o engano da “fama apetecível”.

“E assim, uns, como é o nosso caso, festejam com alegria o dia em que a liberdade foi conquistada e se instalou a democracia e os direitos de cidadania. Há festa, vestem-se os fatos de domingar e calçam-se os sapatos de ir à missa, como soe dizer-se, para se entrar no Salão Nobre e florido da República onde os representantes do povo têm a sua cátedra de diagnóstico das maleitas e do receituário para as doenças do Nação. Há discursos empolgados com esticadas reflexões, há palmas e aplausos. E bem, é preciso comemorar e fazer festa”, reconhece.

Pede o bispo que se festeje o 25 de abril, que, neste ano, “deu água pela barba àqueles que, quando falaram sobre os festejos, de tal modo falaram que até as andorinhas suspenderam o voar e as árvores se torceram para os escutar. Mas não gostaram, o efeito foi fraco e era escusado”.

LS

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