Isabel Figueiredo, Diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais

Isabel Figueiredo, Diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais

Quem trabalha na comunicação social sabe bem que a maior dificuldade não está em escrever uma peça, fazer um programa, preparar uma entrevista ou uma emissão especial… O  que realmente nos põe à prova é escrever todos os dias, fazer programas de rádio ou de televisão diariamente, preparar a centésima entrevista como se fosse a primeira ou produzir uma emissão regular como se fosse única. Uma verdade que se pode constatar em tantas profissões e circunstâncias de vida. Mas, hoje, dia 15 de setembro, celebram-se os 25 anos do programa de televisão «Fé dos Homens». E como se pode ler numa notícia publicada no site da Agência Ecclesia, este programa «começou a ser emitido no dia 15 de setembro de 1997, colocando na televisão a dimensão do religioso, mas também a construção social que a Igreja faz no país e no mundo».

São centenas e centenas de programas e milhares de entrevistas; centenas e centenas de reportagens, de deslocações, de registos de imagem e de som; são muitas, muitíssimas convidadas e convidados de todas as áreas da vida religiosa, social e cultural. São muitas portas e janelas abertas ao que é novo, diferente, desafiante. São centenas e centenas de artigos de opinião, de novidades tecnológicas, de elos de ligação entre gerações e gente de diferentes comunidades e tradições religiosas, tornando o diálogo inter-religioso algo de concreto e palpável, neste desafio diário de comunicar.

Um desafio que assume como missão a possibilidade de levar a quem nos vê, a quem nos ouve, o mistério da presença de Deus no mundo. Fazê-lo de forma aberta, transparente, dialogada, com diferentes confissões religiosas que convivem na proximidade da mesma cidade, tantas vezes unidas pela mesma língua é algo que não pode deixar de nos surpreender, pelo bem que representa, pelos frutos que alcança. Somos portugueses, gente que recebe de braços abertos quem chega, que chora com quem sofre, que dança com quem se alegra. Sem distinções de raça, de língua ou de religião. Há exceções, sim claro que há, mas estes 25 anos do programa «Fé dos Homens» são prova de um caminho já andado e promessa de tanto mais. Valorizar esta data, é valorizar uma comunhão fraterna que a dimensão religiosa consegue trazer ao mundo, de uma forma implícita e única.

Nestas datas é costume desejar-se outro tanto, mais 25 anos de vida, mais 25 anos de programas, de trabalho, encontro e comunhão. Que assim seja. Lembrando todos aqueles que tiveram a ousadia de sonhar e de fazer acontecer este espaço de diálogo inter-religioso, na comunicação social em Portugal. E que surjam novas gerações, capazes de dar continuidade a tanto caminho já andado.

Isabel Figueiredo
Diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais
15 de setembro de 2022

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