Revista do ano com o jornalista António Marujo

Lisboa, 31 dez 2015 (Ecclesia) – O jornalista António Marujo, especialista na área religiosa, comenta o que mais marcou a ação e vivência da Igreja Católica em Portugal durenta 2015, destacando a visita ‘ad Limina’ dos bispos ao Papa e os seus desafios.

“Mais importante do que o discurso escrito foi a conversa com os bispos e a insistência em relação à ideia de misericórdia e acolhimento, em duas grandes realidades. As questões mais existenciais como a realidade da família e questões mais sociais”, refere.

À Agência ECCLESIA, António Marujo acrescenta que os bispos têm todos a “grande urgência” de olhar para as diferentes realidades que o Papa chama de “periferias existenciais ou sociais” e perceberem que é ai que está a “missão da misericórdia, do acolhimento da Igreja e transmissão da mensagem de Jesus” para os tempos contemporâneos.

Ainda no contexto da visita ‘ad Limina’ – realizada entre 07 e 12 de setembro – e da preocupação transmitida pelo Papa Francisco sobre a “debandada dos jovens” do meio eclesial, o jornalista considera que a o discurso da Igreja “oscila numa esquizofrenia” porque ou eles “estão longe” ou como nas Jornadas Mundiais da Juventude “afinal não é verdade e estão a regressar”.

“Há de facto muitos jovens que continuam a aderir à mensagem de Jesus e vivem a experiência de Igreja mas falta que a Igreja saiba falar uma linguagem contemporânea e saiba propor esta mensagem de Jesus de uma forma diferente da proposta de há 50, 100 anos ou mesmo 20”, desenvolve António Marujo.

O ano de 2015 para a Igreja Católica em Portugal ficou também marcado pelos 40 anos do Centro de Reflexão Cristã (CRC), na Diocese de Lisboa, que nasceu com a vocação de propor um “diálogo crítico entre a sociedade e a Igreja”, entre os cristãos e a sociedade em que vivem.

Para o jornalista, especialista na temática religiosa, este diálogo cultural de que o CRC é exemplo “continua” a ser uma “urgência” para a Igreja.

“A partir de um discurso que não seja simplesmente da religião popular mas capaz de fazer reflexão teológica, sociológica, antropológica sobre a realidade que proponha outras chaves de leitura mais profundas, mais condizentes com os tempos em que vivemos”, exemplificou, recordando ainda a “marca” que foram as ‘Conferências de Maio’ que “mobilizavam centenas de pessoas com debates de grande qualidade”.

A iniciativa ‘Escutar a cidade’, também no Patriarcado de Lisboa, no contexto do sínodo diocesano do próximo ano, foi outro acontecimento que marcou também a Igreja em terras lusas, em 2015.

“Se estamos a debater o que deve ser a Igreja, no caso em Lisboa, para os próximos tempos, devemos começar por conhecer a realidade onde vive e atua essa Igreja”, explica o jornalista, que fazia parte do grupo dinamizador desta iniciativa.

Ao ritmo de uma sessão por mês, a organização promoveu seis encontros, entre janeiro e junho de 2015, onde diversos convidados que se identificaram como “não sendo crentes ou próximas da Igreja” fizeram um exercício de leitura.

“Essas pessoas ajudaram-nos de modo muito profundo e arguto e com desafios muito interessantes a fazer essa leitura da realidade”, analisa António Marujo.

“Desafios muito ao encontro de urgências que muitas pessoas dentro da Igreja sentem, como a centralidade do texto bíblico, a erradicação da pobreza, a solidão, uma maior justiça social e sistema de justiça que funcione”, exemplificou o jornalista.

HM/CB/OC

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